Combatendo a obesidade infantil
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
No Paraná, dos 927.417 alunos da rede estadual de ensino, 17% apresentam sobrepeso e 7,9% são considerados obesos. Durante a pesquisa foi identificado ainda que 2,3% dos estudantes estão abaixo do peso e 72,2% apresentam peso normal, há um número de discrepância de 0,6%. Os dados foram coletados nas escolas estaduais, com alunos acima de nove anos no ano de 2010 e a pesquisa foi coordenada pela equipe de nutricionistas da Secretaria Estadual de Educação (Seed).
O índice de obesidade do estado está 3% acima da média nacional, de acordo com a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2010. De acordo com Andrea Bruginski, nutricionista da secretaria, há necessidade de realizar um trabalho específico. ''Não sabemos ainda por que temos um número maior que a média nacional, mas estamos iniciando cursos de capacitação e formação de professores com temas relacionados à alimentação para que eles levem este assunto para o dia a dia escolar'', afirmou.
Visando o benefício da saúde dos alunos, alguns municípios desenvolvem trabalhos de orientação nas escolas por conta própria. Em Ibiporã (Norte), a secretaria de Saúde realiza desde 2009 campanhas preventivas de saúde bucal e corporal, doenças sexualmente transmissíveis e tabagismo. Neste ano, o trabalho é direcionado ao combate à obesidade.
De acordo com a coordenadora de divisão de Programas de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Borges, o primeiro passo das ações é a medição e pesagem dos alunos. A partir dos resultados, serão desenvolvidos outros trabalhos para conscientizar e trabalhar a temática com os estudantes. ''As equipes do Programa Saúde da Família farão acompanhamento periódico das famílias dos alunos que apresentarem excesso ou falta de peso. O foco é a orientação dos pais'', disse.
Participação dos pais
Neste ano Ibiporã receberá um repasse de R$ 53.600 do Ministério da Saúde. O recurso faz parte do Programa Saúde na Escola (PSE), que está sendo implantado e todo o país. No município, o repasse será usado pelas oito equipes do Programa Saúde da Família (PSF) que serão responsáveis pelo atendimento de cerca de oito mil alunos de 32 instituições municipais e estaduais. Além da obesidade, serão desenvolvidas atividades sobre saúde e diversidade sexual e riscos e danos do uso do álcool.
Nesta semana o trabalho foi iniciado com os estudantes do Colégio Estadual Olavo Bilac. A pedagoga Marta Cecílio é mãe de Matheus, de 16 anos, um dos alunos do colégio. Ela considera o trabalho importante. ''Acho que é necessário este acompanhamento, principalmente para aqueles que estiverem obesos. A participação dos pais na melhoria da qualidade de vida destes adolescentes é fundamental; este é um assunto que não pode morrer na escola'', disse. Matheus destaca que não se incomoda em fazer a medição e pesagem. ''Acho que seria melhor se houvesse um acompanhamento periódico com toda a turma'', disse.
Isabela Teixeira, 15 anos, também considera esta uma ação importante. ''Com 11 anos de idade eu pesava 53 quilos. As meninas são mais vaidosas e acabam se esforçando mais quando é feita uma pesagem assim'', afirmou. A aluna Isadora Lutzi Daschevi, de 16 anos, acredita que o trabalho é bem-vindo se houver integração dos pais. ''As famílias têm que tomar iniciativa de ajudar os alunos''.


