Curitiba

Kraw PenasLimitaçãoElisa Vianna Sá, presidente da Funasa: ‘‘Do ponto de vista epidemiológico, vacinar adultos não resolve’’A presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Elisa Vianna Sá, descartou ontem em Curitiba a imunização em massa de adultos para combater a epidemia de sarampo no Paraná. ‘‘Do ponto de vista epidemiológico, vacinar adultos não resolve’’, afirmou ela. Mais de 4 mil casos de sarampo foram confirmados este ano no Brasil. No Paraná há 105 casos confirmados - 60% em pessoas entre 15 e 39 anos de idade.
O combate ao sarampo ficará restrito à próxima campanha de multi-vacinação do Ministério da Saúde, que acontece provavelmente nos dias 18 e 25 de outubro, e aos chamados bloqueios vacinais (imunização de crianças e adultos que estão no círculo de possível contaminação de um doente, como residência, colégio e local de trabalho).
Para a multivacinação, já foram adquiridos 31 milhões de doses de vacinas tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), tríplice bacteriana (coqueluche, tétano e difteria) e Sabin (paralisia infantil). A prioridade: imunizar as crianças de seis meses a cinco anos de vida ainda não vacinadas contra as doenças.
Elisa Vianna Sá esteve em Curitiba para conhecer a equipe regional do órgão e assinar convênios de combate a doenças. ‘‘Por segurança, mais 16 milhões de doses estão sendo compradas de laboratórios internacionais via Organização Mundial de Saúde’’, disse ela. Cerca de 1,5 milhão de doses devem ser destinadas ao Paraná para a campanha de multi-vacinação.
A novidade da campanha é a vacina específica contra o sarampo. ‘‘Nós realizamos uma vacinação em massa há dois anos, mas a cobertura não foi boa’’, disse Elisa. Em relação à epidemia de sarampo no Paraná, a presidente da Funasa divide os transmissores em duas categorias: a dos que nunca tiveram a doença na infância nem foram vacinados (a maioria); e a dos que tomaram a vacina, mas têm um organismo incapaz de assimilar a imunização.
A estratégia de efetuar bloqueios vacinais em grupos mais suscetíveis à doença foi destacada pela presidente da Funasa. ‘‘Em Foz do Iguaçu, por exemplo, esse trabalho foi fundamental para evitar o avanço da doença’’, comentou Elisa. Dos 105 casos confirmados de sarampo no Paraná, 45 são em Foz do Iguaçu, a cidade com maior incidência da doença. Curitiba vem em segundo, com 14 casos.
O secretário de Saúde do Paraná, Armando Raggio, que acompanhou a visita de Elisa Vianna Sá, avisou que os postos de saúde já estão preparados para vacinar as crianças. ‘‘Os pais não precisam esperar pela campanha’’, disse. A orientação é para imunizar apenas quem ainda não tomou a vacina. ‘‘Se a carteira vacinal foi perdida ou a mãe tiver dúvida de que o filho foi imunizado, a criança deve ser vacinada’’, aconselhou. ‘‘Os pais devem entender a necessidade de levar seus filhos para vacinação’’, reforçou Elisa.

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