Combate ao crack ainda depende de recursos
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terça-feira, 08 de outubro de 2013
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina - Sem vagas nas instituições que abrigam moradores de rua e com o Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps-AD) operando na capacidade máxima, a Prefeitura de Londrina aguarda a liberação de recursos do governo federal para investir na política de enfrentamento ao crack e outras drogas. Enquanto as promessas de repasses não saem do papel, 40 guardas municipais e 39 policiais militares de Londrina participaram de um curso de capacitação para identificar os usuários de drogas e encaminhá-los para o atendimento especializado. A ação faz parte do programa "Crack, é Possível Vencer".
O curso teve a duração de 20 dias. Os guardas municipais que participaram receberam certificados ontem, em uma cerimônia rápida em frente ao prédio da Prefeitura. O secretário municipal de Defesa Social, Rubens Guimarães, explicou que hoje não há uma definição para atuar em casos que envolvem usuários de drogas. "À medida em que surgem denúncias, a equipe vai até o local, efetua o levantamento, efetua a prisão, mas sem preocupação relacionada à recuperação", afirmou Guimarães.
Um dos participantes do curso, o guarda municipal Fábio Quadros, que está há três anos na corporação, destacou que os palestrantes reforçaram a necessidade de uma abordagem mais voltada para o problema social. "A gente aprendeu técnicas diferentes para tratá-los como doentes e dependentes químicos e não como marginais. A equipe precisa saber se a pessoa tem interesse em se tratar e pode aconselhar e encaminhar as pessoas abordadas para os locais onde há tratamento", contou.
A intenção da Secretaria Municipal de Defesa Social é começar a desenvolver as ações do programa pelo Residencial Vista Bela, na zona norte, e pelos bairros próximos ao Terminal Rodoviário de Londrina. Para isso, a prefeitura aguarda a chegada de dois micro-ônibus que serão usados como bases móveis de segurança no monitoramento de 40 câmeras de vigilância que serão espalhadas pelos pontos críticos das duas regiões. Também serão repassados duas viaturas, quatro motocicletas, cem armas não letais (pistolas de choque elétrico) e 300 sprays de pimenta. Um novo treinamento será feito após a chegada desses materiais, mas a previsão é de que os repasses sejam feitos apenas em agosto do ano que vem.
A Prefeitura de Londrina aderiu ao programa "Crack, é Possível Vencer" no mês de maio e formou um comitê para desenvolver as ações. Representantes das secretarias de Defesa Social, de Assistência Social, de Saúde e de Educação participam das reuniões realizadas duas vezes por mês. De acordo com a diretora de Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência Social, Nivia Maria Polezer, a equipe tenta fazer um levantamento sobre o número de usuários de drogas na cidade e ainda não tem números consolidados. Como meta, a secretaria pretende ampliar o número de equipes de abordagem aos moradores de rua e construir uma Casa de Passagem para atender os que desejam retornar às cidades de origem.
Hoje o serviço de acolhimento é feito por quatro instituições: Casa do Caminho, Bom Samaritano, Pão da Vida e Serviço de Obras Sociais. Juntas, elas recebem R$ 1.292.455 por ano. No entanto, as 148 vagas existentes estão ocupadas e a demanda aumenta a cada dia. "O número de pessoas atendidas pelo Serviço de Obras Sociais passou de 14 para 21 no mês passado. Queremos construir a Casa de Passagem no primeiro semestre do ano que vem para melhorar os atendimentos, além de contratar mais profissionais", ressaltou Nivia Maria. O Centro de Referência Especializada em Assistência Social (Creas) 1 será adaptado para funcionar como Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, chamado de Centro POP.
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