Os agentes de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde fizeram um trabalho de orientação na Ceasa de Londrina sobre os cuidados para evitar focos do mosquito Aedes aegypti. Eles conversaram com os produtores e comerciantes, distribuíram panfletos informativos e montaram um estande com informações sobre o mosquito e outros vetores de doenças.
"Após uma visita, sentimos a necessidade de fazer um trabalho de conscientização. As pessoas ainda não entendem que qualquer lixo jogado no chão é um potencial criadouro para o mosquito", comentou Lucimara Vasconcelos, educadora de Endemias.
Lucimara orienta que armazenar o lixo de forma adequada e evitar que qualquer recipiente fique para trás vai minimizar a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Os cuidados não devem se restringir apenas aos boxistas, mas também aos caminhoneiros que transitam pelo local.
"Os transportadores precisam monitorar os veículos, bater os pneus para ver se não ficou nenhum acúmulo de água. Os ovos podem ficar até quatro dias maturando e quando ele (caminhoneiro) chega aqui e abre o caminhão o mosquito sai voando."
O caminhoneiro Sidnei dos Santos, de Palmital (Região Central), conhece bem o perigo que o mosquito representa. A mãe dele contraiu dengue e precisou ficar dois dias internada. "Não sabemos onde estava o foco, se na casa dela ou na vizinhança. Então, cuido muito do caminhão. Sempre mantenho limpo, porque posso levar o mosquito para qualquer lugar. A gente pensa que isso nunca vai acontecer com a gente", comentou Santos.

LIXEIRAS
Circulam pela Ceasa em torno de mil veículos por dia e mais de 3 mil pessoas. São 97 empresas que utilizam 230 boxes. A Vigilância Epidemiológica faz vistorias periódicas, entre 60 e 90 dias. Este ano, não foi encontrado nenhum foco do Aedes.
A ação educativa foi bem recebida pelos boxistas. "É um perigo que todo mundo está correndo", afirmou Marcos José da Silva, referindo-se ao mosquito. Na opinião dele, ainda falta muita conscientização dos comerciantes e frequentadores da Ceasa e também reclamou da falta de lixeiras no local.
"O povo é mal educado e é difícil conscientizar, viu", disparou a produtora rural Rose dos Santos. Para o comerciante Rodolfo dos Santos, a falta de educação está generalizada. "Tem lixo jogado nas praças, em frente aos mercados, aos comércios. É muito copinho de água jogado pelo chão", criticou.
De acordo com o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (Liraa), a região da Ceasa está com 37% de infestação, enquanto que área da UBS Lindóia, ao qual a Ceasa faz parte está com índice de 9% e Londrina está com 8%. Esse percentual alto, de acordo com a Vigilância em Saúde, pode ser em função do clima e ocupação populacional, a Ceasa está próxima de área de Preservação Permanente e também de residências.
O gerente da Ceasa de Londrina, Marcos Augusto Pereira, afirmou que são feitas ações de orientação na entrada da unidade, com a distribuição de panfletos na portaria e cartazes em todos os boxes do mercado. A limpeza no local é feita às terças, quintas e sábados quando a Ceasa não funciona.
A unidade elaborou o Programa de Gerenciamento de Resíduos, que aguarda aprovação na Prefeitura, para implantação. Neste programa está prevista a instalação de lixeiras em toda a área da Ceasa. Pereira afirmou ainda, que tem uma empresa contratada para controle de vetores e proteção de pragas urbanas. A empresa monitora o local duas vezes por semana.

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