Foi lançado ontem em Londrina o Plano Estadual de Enfrentamento às Violências Contra Crianças e Adolescentes, com a presença da secretária de Estado da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa. Também foi lançada a campanha ''Doe Sua Voz'', que tem por objetivo sensibilizar a população para denunciar a violência.
Participaram técnicos das áreas da saúde, educação, assistência social de Londrina e região, além de lideranças educacionais, políticas, judiciárias e policiais. Segundo Fernanda, ''o Plano prevê ações de prevenção, de resgate, instruções do que deve ser trabalhado com as famílias, as responsabilidades de cada órgão, por isso a importância do lançamento em todos os municípios do Estado para que haja uma força de mudança''.
A secretária também lembrou do alto número de crianças vitimizadas - ''quarto ou quinto lugar no Brasil'' -, e do desejo de que haja o envolvimento de todos para que o número possa chegar próximo a zero. ''Queremos fazer uma política de assistência em que possamos resgatar a família e devolver a dignidade.'' Ela também enfatizou que o governo estadual promoverá capacitação constante para que os membros da rede de serviço - postos de saúde, escolas, conselhos tutelares, assistentes sociais - estejam aptos a reconhecer e atender adequadamente crianças vítimas de violência.
Luciano Rosa, integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca), enfatizou a necessidade de as pessoas entenderem seu papel enquanto cidadãos e não só fazerem notificações, mas também zelarem para que as crianças sejam protegidas. ''Tivemos aumento das notificações, mas o ideal é que essas situações de violência não aconteçam'', explicou.
Durante o evento, o advogado e ex-conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) Renato Roseno falou sobre a violência e os desafios da rede de atendimento. Segundo ele, a sociedade ainda enxerga a criança como um objeto, por isso um homem se sente no direito de abusar de uma criança de cinco anos, por exemplo. ''É necessário mantermos a mobilização, ampliarmos o atendimento através da rede de serviços e estimularmos a não produção de violência'', ressaltou.
Para ele, o aumento de 600% em sete anos nas denúncias através do disque 100 não devem satisfazer a sociedade, que deve investir em relações que não produzam violência, como a cultura do bater. ''A violência se aprende, nós não nascemos sendo violentos'', explicou. Roseno também salientou que a cada caso notificado, outros cinco não são. ''O desafio do atendimento é ampliar a rede e melhorarmos a qualificação dos profissionais. A rede não pode atender no tempo do Estado, cada criança responde no seu tempo ao tratamento'', destacou.
Durante a tarde foi realizada uma mesa de relatos das experiências regionais e municipais de enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes. O Plano também será lançado em Foz do Iguaçu e Paranaguá.

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