A estrutura precária e a falta de profissionais para o combate à exploração sexual em Londrina estão entre os pontos que serão abordados na noite de hoje durante audiência pública na Câmara de Vereadores de Londrina. O evento é aberto à comunidade e organizado por representantes do Ministério Público, Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná, Comissão de Segurança Pública da Câmara de Vereadores e grupo "Vai Gaeco", criado nas redes sociais em apoio às investigações.
A promotora Cláudia Piovezan, que participa da organização da audiência pública, destaca que a falta de delegados e de servidores da Polícia Civil em Londrina compromete a conclusão dos inquéritos. Com o excesso de demanda no setor da segurança pública, inúmeras denúncias de crimes sexuais permanecem sem apuração. "Muitas vezes a pessoa é vítima de um crime e fica sem resposta. Não tem uma investigação, não tem um inquérito e ela não consegue entender isso. ‘Eu fui lá, fiz o B.O. [Boletim de Ocorrência] e a polícia não investigou?’ Muitas vezes não se investiga porque não há estrutura para fazer isso", apontou.
Estatísticas e dados relacionados aos órgãos que deveriam auxiliar as investigações serão apresentados à comunidade durante o debate. Conforme a promotora, o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria), por exemplo, que deveria conduzir os inquéritos, tem apenas um escrivão e quatro investigadores. "São milhares de boletins de ocorrência que são registrados anualmente e a polícia não tem estrutura para que cada caso que noticia um crime se transforme em um inquérito policial", destacou. Claudia lembra ainda que os delegados que atuam nos distritos policiais também realizam seis plantões por mês. "Sobram dez, 11 dias úteis para que eles possam trabalhar na delegacia, mas aí eles precisam dar conta dos flagrantes que fizeram no plantão e há urgência, por se tratar de presos. Com isso, o inquérito que ele eventualmente instaurou e que o investigado está solto fica parado na delegacia", completou. Problemas na estrutura e na falta de equipamentos do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina também comprometem os trabalhos.
A intenção dos organizadores da audiência pública é formalizar uma carta com pedidos de melhorias na estrutura dos órgãos envolvidos no combate aos crimes de exploração sexual e ainda reivindicar a contratação de mais servidores. "Estuda-se a possibilidade de dividir a demanda de trabalhos da 6ª Vara Criminal de Londrina com um novo promotor que passaria a atuar na cidade", detalhou Cláudia. A audiência pública será realizada a partir das 19 horas, na Câmara de Vereadores de Londrina.

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