Combate à dengue segue o ano todo
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
A dengue não escolhe estação e o mosquito transmissor, Aedes aegypti, ao contrário do que muitos possam pensar, também se reproduz em baixas temperaturas. Basta encontrar o fator propício para sua proliferação: a água parada.
É verdade que a combinação de calor e água parada cria um local perfeito para a reprodução do mosquito, mas no outono e no inverno também podem surgir casos de dengue, pois os ovos têm um ciclo de vida que pode durar 500 dias, ou seja, cerca de um ano e cinco meses.
"No calor, as ações têm caráter emergencial e portanto são intensificadas, mas no frio as equipes continuam visitando os imóveis e alertando a população. O combate não para nunca e as pessoas não devem se descuidar", comenta o coordenador de Endemias de Londrina, Jorge Augusto Sá.
Ontem, a FOLHA noticiou que as cidades de Alvorada do Sul e Primeiro de Maio (Região Metropolitana de Londrina) e Porecatu (Centro-Norte) enfrentam epidemia. A 17ª Regional de Saúde registrou até o momento, 1,1 mil casos de dengue e mais de 10 mil notificações nos 21 municípios de sua abrangência.
"A epidemia em cidades na região preocupa bastante porque as pessoas dessas localidades que vêm para Londrina podem estar infectadas com o vírus, em um período que chamamos de viremia (presença do vírus no sangue). Como os sintomas podem ser desencadeados entre 5 a 8 dias, muitas pessoas nem sabem que estão com dengue e podem transmitir o vírus para o mosquito quando são picadas", explica o coordenador.
Em Londrina, são 2.769 notificações e 381 casos confirmados. Destes, 326 são autóctones (adquirido no município) e 55 são importados. Para evitar o aumento destes números, os mutirões aos finais de semana continuam para vistoriar principalmente os imóveis que se encontram fechados durante a semana. "A região com maior número de casos positivos é a Oeste, com destaque para os jardins Leonor e Santa Rita. Nos próximos dias vamos percorrer novamente a região, além da zona leste e centro", informa.
Para atender toda a cidade, o setor de Endemias conta com 242 agentes, além dos funcionários que aplicam o fumacê. Na residência de Vilma Huida, no Santa Rita, a última visita dos agentes foi no início da semana. "Eu me sinto muito mais segura quando eles passam em casa. Apesar de eu tomar todos os cuidados, como colocar areia nos vasos de plantas, sempre é bom ter um olhar de quem entende mais do assunto", diz.
Segundo a dona de casa, a tendência com a chegada das baixas temperaturas é que as pessoas se descuidem. "Se tem gente que não se preocupa com os criadouros no calor, imagine no frio. Dengue para mim acontece em qualquer tempo e lugar", comenta.
Quem sentiu na pele as consequências da falta de cuidado é o aposentado Sebastião Custódio de Souza, que continua realizando serviços de pintura e pedreiro. Há 15 dias ele foi picado pelo mosquito e contraiu dengue. "Fui trabalhar em uma casa que tinha uma piscina abandonada e acabei sendo picado, mas achei que era só pernilongo. Na mesma semana já estava de cama, com muito calafrio e dores até nos ossos", diz Sebastião, que não deseja esse mal para ninguém. "Depois do que sofri, passei a dar muito mais valor no combate ao mosquito. Em casa mesmo, tá tudo limpinho e sem água parada", conta.


