Combate à dengue com improviso na saúde
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Alvorada do Sul - De um lado do corredor funciona a unidade básica de saúde. Do outro, o hospital. Médicos, enfermeiros e pacientes dividem o mesmo imóvel de forma improvisada em meio ao alto risco de epidemia de dengue registrada em Alvorada do Sul (Região Metropolitana de Londrina). O número de casos notificados da doença aumentou de forma significativa no início de dezembro. Na primeira semana foram feitas 30 notificações contra três registradas na última semana de novembro. Só em janeiro foram 178 notificações e 14 casos confirmados. O município possui pouco mais de 10 mil habitantes
Com o improviso, pacientes grávidas ou que já possuem outras doenças além dos sintomas de dengue são encaminhados para cidades próximas como Porecatu, Florestópolis e Bela Vista do Paraíso. Também há casos repassados para os municípios de Londrina, Ibiporã, Rolândia, Arapongas e Apucarana, conforme a disponibilidade.
O chefe da Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de Alvorada do Sul, Dionísio Sperandio Neto, destacou que a prefeitura está fazendo o possível para atender a população. "Acreditamos que o pico da epidemia já passou. O número de notificações está diminuindo. Por enquanto, não foram registrados casos de dengue hemorrágica e torcemos para que isso não aconteça", afirmou.
O Hospital Municipal Emílio Alves está em reforma desde outubro do ano passado. A previsão é de que a obra seja concluída até junho deste ano. Serão gastos, aproximadamente, R$ 649 mil, recursos repassados pelo governo estadual.
Enquanto o local passa por adequações, boa parte dos funcionários trabalha no posto de saúde, com exceção das cozinheiras e das trabalhadoras do setor da lavanderia, que continuam no hospital por falta de espaço e de estrutura na UBS.
Conforme Sperandio Neto, a Vigilância Sanitária vetou a realização de vários procedimentos no hospital municipal. "O local estava sem condições adequadas de higiene e precisava de várias adaptações na estrutura. Nós interditamos o espaço em novembro de 2012. Desde então, funcionava como um posto de saúde", contou. Porém, além da reforma no hospital municipal, a única UBS também está em obras. O local será ampliado até o mês de abril. Serão gastos, no total, R$ 60 mil.
Reforço
A unidade não estava superlotada ontem de manhã, quando a reportagem esteve na cidade, e os atendimentos eram realizados com tranquilidade. A prefeitura garante que a situação está sob controle. "Já fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Investimos, fizemos mutirões e todas as adaptações necessárias no posto para receber os pacientes do hospital, tentamos melhorar as condições", destacou o vice-prefeito de Alvorada do Sul, Reinaldo Neri dos Santos. O prefeito João Carlos Peres está em férias.
Para reforçar o tratamento dos casos suspeitos de dengue, a Secretaria Municipal de Saúde disponibiliza um bebedouro com soro para reidratar na sala de espera. Mesmo com o aviso pendurado no galão de água onde o soro é colocado, há pessoas que confundem o líquido com a água natural. "Não há problemas. Seguimos a recomendação da 17ª Regional de Saúde. O tratamento para que o paciente se recupere é apenas a hidratação", explicou o chefe da Vigilância Sanitária.
Os leitos apertados com três camas onde caberiam apenas duas e com janelas voltadas para a rua revelam a fragilidade do sistema, mas a população quase não reclama do atendimento improvisado. Muitos acreditam que o número de médicos é suficiente. Dois profissionais atuam na UBS 12 horas e um plantonista fica no setor que funciona como hospital 24 horas. O fornecimento de soro e de outros itens básicos para o atendimento está dentro da normalidade. Medicamentos controlados estavam em falta nos últimos três meses. Atrasos nas licitações teriam ocasionado o problema. A situação, segundo Sperandio Neto, deve ser resolvida nesta semana.
Quem já teve a doença se assusta com a possível epidemia. A família da professora Lenice Pereira, de 51 anos, conhece bem os sintomas. "Dois filhos maiores e dois netos já tiveram a doença, ficaram dias com os sintomas. Tiveram febre, dor de cabeça e manchas no corpo. A comunidade não ajuda", reclamou. A dona de casa Ana Paula Batista Lima, de 23, foi contaminada pelo vírus durante a gravidez. "Eu cuido do quintal e morro de medo dos meus filhos pegarem a doença", disse.
Vera Lucia Tavares, de 24, é mãe de um bebê de apenas 20 dias. Para ela, os cuidados precisam ser redobrados e toda a população precisa ajudar. "Cada um deve cuidar da sua casa, pelo menos, para evitar mais casos", declarou, ao lado do marido Rodolfo.


