Combate à corrupção rendeu prêmio
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de dezembro de 2001
Lino Ramos<Br>De Londrina 
O prêmio Integridade, concedido este ano ao Ministério Público (MP) de Londrina pela ONG Transparência Internacional, é considerado um estímulo ao trabalho de combate à corrupção. A opinião é da promotora da 3 Vara Cível, Solange Novaes Vicentin. Ela é uma das responsáveis pelas investigações sobre os desvios de recursos da Prefeitura de Londrina, no caso que ficou conhecido como Escândalo AMA-Comurb, e que oficialmente chegam a R$ 20 milhões mas a suspeita é que o rombo pode ter sido de R$ 100 milhões.
O prêmio ao MP foi entregue em outubro, em Praga, na República Tcheca. A Transparência Internacional é uma ONG especializada no combate à corrupção. A premiação - sem valor pecuniário - foi entregue aos promotores Solange Vicentin, Cláudio Esteves (da Promotoria de Investigações Criminais) e Bruno Galatti (Defesa do Patrimônio Público).
Também foi premiado o empresário Valter Orsi, representando o Movimento Pela Moralização na Administração Pública. Foi a primeira vez que brasileiros receberam esse reconhecimento. ''O prêmio representa um estímulo, pois indica que estamos no caminho certo no combate à corrupção'', afirmou Solange.
Segundo a promotora, esse tipo de ação leva o MP a apostar em ações cada vez mais contundentes contra a corrupção. ''A gente sabe que a dilapidação dos cofres públicos agrava os problemas sociais. A improbidade é a principal responsável pela falta de recursos em áreas sociais prioritárias'', completou.
Para Esteves, o reconhecimento ao trabalho de combate à corrupção demontra que o Congresso Nacional, em 1988, acertou ao entregar ao MP essa atribuição. ''O Ministério Público está correspondendo aos anseios da sociedade'', resumiu.
As investigações do MP e o apoio da sociedade organizada no combate à corrupção resultou inicialmente no afastamento de Antonio Belinati pela Justiça. Em junho do ano passado sob forte pressão popular a Câmara de Vereadores cassou o mandato do ex-prefeito. Belinati foi acusado de autopromoção e de ter cometido irregularidades em gastos publicitários e na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Belinati e outros acusados já foram presos duas vezes devido as denúncias do MP. Eles conseguiram a liberdade mediante liminar no Tribunal de Justiça. Os bens da família Belinati, incluindo a vice-governadora Emília Belinati (PFL), estão indisponíveis. Até agora o Ministério Público ofereceu 20 ações contra os envolvidos nos desvios.


