A função de apreender mercadorias irregulares de camelôs que agem na Área Central de Londrina representa um dos maiores riscos para os agentes da CMTU. Não é raro que, no momento da apreensão, o fiscal sofra ameaças de quem está perdendo a mercadoria e até da população que eventualmente presencie a cena. Mas o chefe da fiscalização da companhia, João Arruda, argumenta que o rigor no combate aos ambulantes se deve ao número excessivo de trabalhadores irregulares que atuam no Centro.
O quadrilátero compreendido entre as avenidas Juscelino Kubitscheck, Higienópolis, Duque de Caxias e Leste-Oeste tem vagas para 200 vendedores ambulantes autorizados pela CMTU. Todas estão ocupadas. ''Há conversas de que um ponto nessa região seria comercializado por até R$ 15 mil. Mas isso é ilegal e pode resultar na cassação da licença dessa pessoa'', adverte Arruda.
No entanto, a procura pelo comércio irregular não pára de crescer. As ruas do Centro sempre estão repletas de ambulantes vendendo todos os tipos de mercadoria. Até dentro do Terminal Urbano, onde fica a sala dos agentes, vendedores de chocolate tentam tirar o sustento do intenso movimento diário dos passageiros do transporte coletivo.
Arruda avalia que hoje muitos sejam ''ambulantes profissionais.'' Segundo o chefe da fiscalização, eles consideram que o lucro obtido na Área Central compensa o risco de ter a mercadoria apreendida.
Por outro lado, o preço para trabalhar legalizado não é tão alto, na opinião de Arruda. Um carrinho de lanche, por exemplo, paga R$ 94,90 por ano para atuar respeitando a legislação. ''Por isso, vejo que a questão que os move é mesmo o lucro, e não o desemprego. Eles sabem que conseguem um bom 'salário' nas ruas'', diz. (F.R.F.)

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