Comando reage a queixa sobre escala
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de setembro de 1998
Paulo Pegoraro 
Uma carta sem assinatura endereçada ao comando geral da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e com cópias remetidas ao governador Jaime Lerner (PFL), à Folha e outros veículos de comunicação, relata queixas de patrulheiros da 3ª Companhia de Cascavel, que estariam sendo tratados de maneira hostil, errônea e sem o mínimo de respeito.
O comandante da unidade, capitão José Carlos Augusto Pinto, após inteirar-se dos termos da carta, disse que talvez a motivação esteja clara: mudança de métodos. E mudanças, geralmente, implicam em reação.
No envelope da cópia recebida pela Folha o remetente se identifica como Maria da Silva e o endereço é Rua Santo Antônio, s/n, Cascavel. Maria da Silva apresenta-se como mulher de um patrulheiro, que, pelos regimentos internos, não pode queixar-se publicamente.
A queixa mais objetiva feita na carta anônima é sobre a escala de trabalho dos patrulheiros, sofridas e complicadas, mas não há mais detalhes.
O capitão admite que passou a enfrentar dificuldades isoladas com alguns policiais logo após assumir o comando da 3ª Companhia, em 1996. Implantamos uma nova filosofia de trabalho. Os patrulheiros deixaram de se limitar a examinar os documentos dos carros e dos motoristas e passaram a atuar na extensão da atividade como policiais militares, combatendo o roubo de carros e o tráfico de drogas, entre outras tarefas, justificou.
Cauteloso, sem comentar o desempenho em períodos anteriores, o capitão frisou que as apreensões de drogas cresceram vertiginosamente.
Em 97, foram apreendidos nas rodovias estaduais da região 2.220 quilos de maconha, 32,7 quilos de cocaína e 988 bolinhas de haxixe. Este ano, até o final da semana passada, já haviam sido apreendidos 1.606 quilos de maconha, 33,8 quilos de cocaína, 365 bolinhas de haxixe e recuperados 40 carros roubados.
Segundo o comandante, estes resultados têm sido obtidos com a nova filosofia implantada. Exigindo que os policiais correspondam aos anseios da sociedade e sem prejuízo às demais tarefas, como controle do tráfego, por exemplo. Até agosto foram 671 acidentes, número inferior ao das demais companhias.
Para Augusto Pinto, a escala de trabalho e a obrigatoriedade de que os patrulheiros passassem a morar na área da própria companhia podem ser as motivações para as queixas.
Ele cita o caso de um policial que morava no Norte do Paraná e vinha trabalhar em Cascavel no dia de escala. Isso é um contra-senso, considerou. A jornada, que era de 24 horas de trabalho e 48 horas de folga, em abril passou a ser de 12 por 24 e também de 12 por 48, mas neste caso, a metade do pessoal escalado tem que cumprir expediente interno na companhia (em todos os casos sempre em revezamento).
A sistemática pode ser repetida em outras companhias na medida em que tenham quadros suficientes. Em Cascavel, são 166 homens, número adequado, segundo o comandante. Fui obrigado a providenciar a transferência de seis patrulheiros que não se enquadraram na filosofia de trabalho. Outros 11 estão recolhidos à unidade respondendo a procedimentos legais, revelou.


