Apenas um mês depois de assumir o comando do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM), o tenente-coronel Luiz Carlos Menezes Deliberador enfrenta dias dos mais agitados à frente da instituição.
Com a cidade apresentando índices alarmantes de violência e a sociedade cobrando atitudes governamentais, a PM tenta responder com operações de repreensão ao crime, como as realizadas nos últimos dois finais de semana, quando o efetivo de outros batalhões do Estado reforçou o 5º BPM. Uma delas, inclusive, resultou na prisão em flagrante de dois PMs acusados de extorsão, os quais foram encaminhados para Curitiba, onde estão recolhidos e aguardam julgamento.
Outra estratégia adotada pelo comandante é convidar setores da sociedade para ir até o batalhão e conhecer melhor o trabalho policial. Ontem, foi a vez das mulheres ligadas às areas do direito e segurança. Na reunião, acompanhada pela reportagem da FOLHA, Deliberador explicou como é o trabalho dentro do Batalhão, a divisão da cidade para a atuação da polícia nas ruas e o quanto custa para os cofres públicos equipar um policial para o trabalho.
''A pistola que utilizamos custa em torno de R$ 3 mil, o coleta à prova de balas não sai por menos de R$ 1 mil, a mesma quantia que gastamos para a farda, algemas e cintos. O rádio que cada policial carrega tem o preço de R$ 7,5 mil. Então só para equipar um policial para trabalhar a pé gastamos mais de R$ 12 mil. Sem falar na viatura e salário desse servidor'', elencou o comandante.
Questionado pela reportagem se há previsão por parte do governo estadual de mandar mais viaturas para o serviço dos policiais que se formam até o fim de 2007, Deliberador afirmou que já existe a certeza de que esse anseio será atendido dentro de quatro meses. Sobre a necessidade de se aumentar ainda mais o efetivo policial, ele opinou que é preciso apostar no bom trabalho e motivação daqueles que já estão em serviço. ''Londrina é muito grande, nem com 10 mil policiais conseguiríamos cobrir toda a cidade'', ressaltou.
Quanto à violência que assusta os londrinenses, o tenente-coronel lamentou o fato de o problema ser nacional. ''O Brasil passa por uma fase crítica em relação à segurança. Vejo com naturalidade o nosso caso, que está dentro de um contexto nacional.''
De acordo com Deliberador, as reuniões com setores da sociedade devem continuar nas próximas semanas. Os próximos convidados serão os membros dos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) e a imprensa. ''Este tipo de encontro é muito positivo, pois cria um elo entre o comandante do nosso batalhão, que não se torna uma figura distante'', opinou a delegada de polícia Paula Francinete, uma das convidadas para a reunião de ontem.
De acordo com o comandante do Policiamento do Interior do Paraná, coronel Celso José de mello, Londrina recebe, a partir de hoje, o reforço de 50 policiais de batalhões da região que devem ficar na cidade até o próximo domingo. ''Temos feito ações preventivas e programadas, focando combater o crime onde ele está acontecendo'', declarou Mello, em resposta ao questionamento se o reforço não seria uma resposta ao protesto pedindo mais segurança. ''Respeito o protesto. Entendo que é um clamor da sociedade. O único temor é que a manifestação seja utilizada politicamente'', finalizou.

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