Comando quer ''ouvir'' proposta do Governo
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
Depois de 143 dias de paralisação e alguns dias sem dialogar com o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado, Ramiro Wahrhaftig, o comando estadual de greve das universidades estaduais retoma as negociações hoje à tarde, em Curitiba. A expectativa dos grevistas é ouvir o que o Governo tem a dizer acerca da proposta de destinar às universidades um percentual fixo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Wahrhaftig reafirmou ontem que está preparando um projeto de lei junto com a Secretaria de Fazenda, estabelecendo um índice fixo do ICMS que seria repassado às universidades anualmente. Conforme a assessoria do secretário, este índice ficaria igual ou próximo ao que já é repassado às instituições. Segundo o comando de greve, o índice estaria em 6,83%. O número não é confirmado pelo Governo, que alega que é preciso avaliar todos os demais gastos com educação para só depois divulgar quanto caberia às universidades.
De acordo com o presidente da Associação dos Servidores Técnico-administrativos da UEL (Assuel), Itamar Rodrigues Nascimento, os servidores querem saber se há realmente uma proposta. O comando deverá ponderar junto ao Governo que a saída mais rápida para colocar fim à paralisação, segundo o sindicalista, é a reestruturação do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), dando reajustes maiores a quem ganha salários menores. Hoje, a Assuel realiza nova assembléia pela manhã e, depois, deve haver novo protesto em frente à reitoria.
O presidente do Sindicato dos Professores da UEL (Sindprol), César Caggiano dos Santos, comentou que os desentendimentos com o secretário são questões que vão e voltam no que chamamos de balé político. Para ele, duas notícias que ventilaram pela imprensa podem significar ganhos, diretos e indiretos, para os servidores.
Um ponto importante seria a atitude do Governo de repassar imóveis para o Paraná Previdência. Se esses imóveis entrassem como ativo, o Governo gastaria menos com o pagamento de aposentados e pensionistas - que hoje gira em torno de R$ 90 milhões - e a economia gerada poderia ser realocada de outra forma nas universidades.
A outra notícia positiva foi o anúncio feito pelo governador Jaime Lerner (PFL), ontem, da criação do novo plano de saúde para o funcionalismo estadual, que seria bancado integralmente pelo Governo. Quanto à questão da autonomia, Santos antecipou que esse tema deverá ser melhor discutido com os professores numa assembléia logo depois do Carnaval.


