Curitiba - O comandante geral da Polícia Militar (PM), coronel Mario Sérgio Nicolau, deu prazo de cinco dias - a partir de hoje -para que a diretoria do Hospital da Polícia Militar apresente um relatório completo da situação financeira e administrativa da entidade. Nicolau esteve ontem no hospital e ordenou que fosse realizado um levantamento de todos os funcionários civis e militares do órgão, para verificar a existência de ''fantasmas'', que recebem sem trabalhar.
Segundo Nicolau, serão tomadas medidas para moralizar e reorganizar o funcionamento do hospital. A reativação do Hospital da Polícia Militar foi uma das promessas de campanha do governador Roberto Requião (PMDB). Uma visita surpresa do governador na semana passada ao hospital acelerou o processo. Requião teria ficado indignado ao chegar no hospital à tarde e não encontrar funcionários em seus postos.
De acordo com o comandante geral da PM, há indícios de que os funcionários não estariam cumprindo seus horários de trabalho e mesmo assim recebendo salários. ''Vamos levantar os dados de todos os funcionários, ver qual a atividade pertinente a cada um e, caso seja verificada a existência de funcionários fantasmas, eles serão punidos. Não podemos reduzir o salário dos militares e civis que trabalham no hospital, mas certamente podemos readequar a escala de horários para que desempenhem atividades que façam jus ao que recebem'', disse Nicolau.
A blitz organizada por Requião deixou em situação delicada o diretor-geral do Hospital da Polícia Militar, Marco Polo Rauth. Segundo Rauth, não existem funcionários fantasmas no hospital, embora ele admita que a carga de trabalho tenha sido reduzida. ''Com o fechamento do IPE, o hospital parou de receber verbas para realizar procedimentos hospitalares. Nos últimos oito meses, também não recebíamos verbas do SAS (Sistema de Assistência à Saúde). A solução foi reduzir os atendimento para 10% da capacidade do hospital'', explicou Rauth. ''A única alternativa seria fechar o hospital, o que com certeza dificultaria o seu reestabelecimento, que espero que aconteça agora'', comentou.
Segundo Rauth, o hospital estaria funcionando apenas de manhã, mas o número de funcionários teve que ser mantido. ''Se tivermos um paciente que seja na UTI (unidade de tratamento intensivo), precisamos de uma equipe de dez pessoas. Mas se tivermos apenas um paciente, também precisamos das mesmas dez pessoas, sob o risco de apresentarmos problemas como falta de higiene, por exemplo, o que pode causar uma infecção hospitalar. Um hospital não funciona como uma indústria de carros, na qual se reduz a produção e corta-se funcionários. Mesmo com atendimentos reduzidos, a equipe tem que ser mantida'', alegou o diretor-geral do hospital.

mockup