Comando inspeciona PM de Maringá
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sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Lucinéia Parra 
O chefe do Estado Maior, coronel Waldemar Kretschmer e o comandante do Comando de Policiamento do Interior, coronel Valter Cardoso de Aguiar, participaram ontem da inspeção do 4º Batalhão de Polícia Militar de Maringá. Todos os serviços prestados pela PM no município foram avaliados por uma equipe de policiais que fazem parte do alto comando da corporação do Estado. Um policial à paisana, também de Curitiba, visitou algumas entidades municipais e entrevistou moradores para saber qual a opinião deles sobre a ação da PM em Maringá.
A inspeção, conforme Kretschmer, é uma atividade de rotina para conhecer a realidade dos batalhões da PM e buscar alternativas para a melhoria dos serviços. Ele negou que a presença do comando da PM em Maringá tivesse qualquer relação com as denúncias feitas pela Polícia Civil sobre a ação dos policiais militares.
Conforme o coronel, a Polícia Civil e Polícia Militar são duas instituições que têm que trabalhar juntas. Ele afirmou que as duas instituições formam o ciclo da polícia que é o trabalho preventivo, repressivo, de investigação e atividades do poder judiciário (abertura de inquérito). As duas polícias têm que desenvolver um trabalho harmônico porque afinal o maior prejudicado neste tipo de divergência é a população, afirmou.
A denúncia de que a PM está extrapolando as suas atividades, realizando investigação que é de competência da Polícia Civil e ainda alterando a cena do crime nas ocorrências que presta atendimento, foi feita esta semana pelo delegado do 4º distrito da Delegacia de Maringá, José Maurício de Lima Filho.
O chefe da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Aprígio Paulo Cardoso também denunciou a ação da PM, afirmando que os policiais militares têm que parar de interferir no trabalho da Polícia Civil.
A prisão do motorista Roberto Matos Barreto, 41 anos, terça-feira, pela Polícia Rodoviária atingiu o ápice das divergências entre as duas corporações, culminando nas críticas da Polícia Civil. Barreto, como ele próprio denunciou na delegacia de Maringá, teria sido preso por dois sargentos e um soldado da Polícia Rodoviária, e torturado por mais de cinco horas. Ele teria sido preso às 7 horas e só foi entregue na delegacia às 19 horas.
Conforme Kretschmer, o delegado Aprígio Paulo Cardoso fez uma má interpretação dos fatos. Ele disse que a investigação feita pelos policiais que prenderam Barreto foi correta. Ele negou que a PM usa métodos de tortura nas abordagens que realiza. Não acredito que os policiais tenham torturado o motorista, mas de qualquer forma a denúncia será apurada.


