Comando diz que contradições do governo reforçam a greve
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domingo, 20 de janeiro de 2002
Sid Sauer 
Campo Mourão - O comando de greve das universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste) afirmou ontem que as declarações feitas na sexta-feira pelo governador Jaime Lerner mostram contradições no discurso do governo e só servem para reforçar o movimento grevista que ontem completou 126 dias de paralisação. O comando esteve reunido ontem em Campo Mourão para avaliar o movimento.
O secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior diz que os professores devem voltar ao trabalho para se definir um índice de reajuste. Depois o governador afirma que não pode conceder reajuste por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal, disse o professor Luiz Fernando Reis, do comando de greve da Unioeste. Isso reafirma que a categoria acertou ao permanecer em greve.
Segundo os professores, o gasto de pessoal previsto no orçamento do Estado de 2002 é de 45,66% e está abaixo dos limites impostos pelo LRF, o que permite novos reajuste. Estamos pedindo reposição da inflação e não aumento. Isso não infringe a nova lei, destacou Reis. O comando lembrou ainda que o governo tinha que ter colocado no orçamento uma previsão para reposições salariais, como prevê o artigo 37, inciso 10, da Constituição Federal.
Os professores se irritaram com a afirmação do governador que a média salarial da categoria é de R$ 3,8 mil. Se existe algum marajá nas universidades estaduais, ele que mostre o contracheque, disse Reis. A professora Maria Lúcia Rizzotto, que tem doutorado e 15 anos de carreira, mostrou ontem seu olerite: salário bruto de R$ 3,4 mil e líquido de R$ 2,6 mil. Isso porque tenho dedicação exclusiva e não posso trabalhar fora da universidade.
Em Londrina, cerca de 90 entidades, entre associações de bairro, sindicatos e conselhos comunitários, iniciaram ontem no calçadão um abaixo-assinado que pede o fim da greve na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O documento será entregue ao governador do Estado, Jaime Lerner, com cópia para a vice-governadora, Emília Belinati, além de deputados estaduais e federais da região de Londrina. O principal pedido do abaixo-assinado é pela negociação do governo com o movimento grevista. A iniciativa faz parte da campanha Negociação Já, liderada por 97 entidades.
Ontem, mais de 1 mil assinaturas foram coletadas e a expectativa é que até o próximo domingo, o abaixo assinado tenha pelo menos 10 mil assinaturas. A campanha pela negociação, além de permanecer durante a semana no calçadão, também vai percorrer a Avenida Saul Elkind (Zona Norte), feiras, Zerão e cidades da região como Cambé, Ibiporã, Bela Vista do Paraíso e Rolândia.
Para o presidente do Sindicato dos Servidores da UEL (Assuel), Itamar Nascimento, a participação popular no abaixo-assinado é surpreendente. A população já não suporta mais, e assim como nós quer o fim da greve o mais rápido possível, disse. Em Cascavel e Maringá, a população também promove um abaixo-assinado. (colaborou Chiara Papali)


