Comando de greve quer cancelar ano letivo
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segunda-feira, 15 de outubro de 2001
Gilmar Agassi<br> De Cascavel 
O comando de greve estadual, formado pelas universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e do Oeste do Paraná (Unioeste), quer cancelar o ano letivo e suspender os vestibulares para 2002. A decisão foi tomada na última sexta-feira, quando os comandos locais se reuniram em Cascavel para definir os rumos da paralisação.
Segundo um dos integrantes do comando de greve de Cascavel, João Carlos da Silva, essa deliberação será levada para as assembléias, que serão realizadas hoje, em Maringá e Londrina, e na semana que vem, em Cascavel. ''Esse indicativo será levado à assembléia para ver se ela ratifica a decisão'', explica.
Com o cancelamento do ano letivo, as aulas devem retornar somente no ano que vem, prejudicando, principalmente, os alunos que estariam se formando ao final deste ano. De acordo com ele, essa é uma forma de pressionar o governo do Estado a agilizar as negociações, que até agora não resultaram em nada.
João Carlos da Silva explica que mesmo que a assembléia vote favorável à medida, a decisão ainda será analisada pelas instâncias superiores das universidades, como os conselhos universitários.
Se os comandos de greve querem cancelar o ano letivo, os estudantes do 5º ano de Medicina da Unioeste pretendem entrar nesta semana com um mandado de segurança para continuar com os estágios. Segundo a advogada Carla Assakura, os acadêmicos não podem suspender o internato, porque isso vai prejudicar o atendimento no Hospital Universitário, além de não conseguir concluir a carga horária exigida pelo curso.
A medida é em função da suspensão do calendário acadêmico, ocorrida no último dia 28, pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe). ''As atividades no internato não foram suspensas. Extra-oficialmente os alunos continuaram tendo aula'', frisa.
A advogada espera conseguir não somente a liberação para a continuidade das atividades, como também a validação desde a suspensão do calendário acadêmico. ''Os estudantes não terão tempo para cumprir o estágio. A partir do ano que vem, o internato começa no dia 15 de janeiro e vai até dezembro sem nenhum intervalo de férias'', ressalta.
Carla explica que se o prazo não for respeitado, os acadêmicos correm o risco de não conseguir fazer as provas de residência e perder um ano inteiro.


