Lúcio Horta
De Londrina
Descentralizar e aproximar o comando da Polícia Civil do Paraná com a comunidade das diversas regiões do Estado. Esses são os principais objetivos de um plano de ação para interiorização das atividades da Polícia Civil, apresentado ontem de manhã em Londrina pelo delegado-geral Newton Tadeu Rocha.
O encontro - definido como ‘‘reunião de trabalho’’ pelos organizadores - levou ao auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) aproximadamente 40 policiais civis, sobretudo delegados da região. O prefeito Antonio Belinati (PFL) e o corregedor da Polícia Civil, Annibal Bassan Júnior, também estiveram presentes. Hoje, o mesmo trabalho será realizado em Jacarezinho.
Entre outros pontos, o projeto de reformulação da Polícia Civil prevê a extinção da Divisão de Policiamento do Interior (DPI), que será substituída por outras cinco divisões implantadas no interior do Estado. O sinal verde para essa mudança já foi dado no dia 9 de julho com a assinatura de um decreto pelo governador Jaime Lerner (PFL).
As novas divisões serão criadas nas regiões de Londrina (norte), Maringá (noroeste), Cascavel (oeste), Guarapuava (centro) e Região Metropolitana (que contempla o litoral). As sedes de cada divisão ainda serão definidas e não serão, necessariamente, nessas cidades. A atual Divisão da Capital também será subdividida em três regiões: centro, norte e sul.
Newton Rocha espera que até o fim do ano o projeto já esteja implantado. Os nomes dos delegados divisionais, segundo ele, ainda serão definidos conforme o critérios políticos, sobretudo considerando o nível de identificação do indicado com a região. ‘‘Queremos implantar esse projeto o mais rápido possível’’, afirmou.
Além de estreitar a relação do comando da polícia com a comunidade, Newton Rocha destaca que o projeto vai otimizar a utilização dos recursos humanos, materiais e financeiros (as divisionais terão orçamento próprio) e, com isso, aumentar a eficiência dos serviços prestados. Essa equação, ele acredita, pode trazer maior segurança à população.
‘‘Em parte, esse plano (apresentado por Newton Rocha) atende as nossas necessidades, que é trazer o Governo mais perto de nós. Em Curitiba a gente nunca é ouvido e aqui a gente vai ser’’, considerou Jorge Coimbra, presidente do Conselho de Segurança de Londrina, presente ao encontro. Ele acrescentou, porém, que respostas para problemas imediatos da sociedade, como as contratações de novos policiais e conclusão da Cadeia Pública, não vieram com o delegado geral. ‘‘Isso tudo ainda continua na promessa.’’
O secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, cancelou a participação no encontro. Segundo informou a assessoria de imprensa da secretaria, Martins ficou em Curitiba por causa do protesto dos caminhoneiros: havia a possibilidade do Palácio do Planalto solicitar aos estados auxílio para dissolver a manifestação, inclusive com o uso da Polícia Militar (PM). Também por esse motivo, Cândido de Oliveira não participará de outra reunião de trabalho da Polícia Civil que ocorre hoje de manhã na Faculdade de Filosofia de Jacarezinho.

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