Comando da PM não quer
ninguém ‘entrincheirado’
O chefe do Estado Maior da Polícia Militar, coronel Sanderson Diotaleve, afirmou ontem que o comando da PM não quer ver ninguém ‘‘entrincheirado’’ nos quartéis, como foi denunciado pelo ex-PM Carlos, em matéria publicada na edição de ontem da Folha. ‘‘Estamos com um aumento de trabalho e precisamos ter todo o efetivo na ruas’’, afirmou. De acordo com o coronel, esta orientação já teria sido passada na última semana aos comandantes dos batalhões, quando esteve fazendo vistorias no interior.
Diotaleve explicou que o comando já sabia sobre o nível de estresse enfrentado pelos policiais em seu dia-a-dia. ‘‘A própria Organização das Nações Unidas (ONU) já divulgou um estudo que aponta que o trabalho policial está entre os mais estressantes que existem’’, lembrou. Segundo ele, a corporação começou, no ano passado, a fazer um trabalho para traçar o perfil do policial e criou um serviço de apoio psicológico dentro do Serviço de Assistência Social (SAS) da Diretoria de Pessoal da Polícia Militar. ‘‘Neste trabalho há uma parceria com psicólogos do Instituto de Previdência do Estado (IPE) e vai poder ajudar a todos que estiverem com problemas’’, afirmou.
Segundo ele, o comando também quer conversar com as psicólogas Mari Nilza de Barros, Solange Maria Beggeato Mezzaroba e Romilda Cordioli Santos, da Universidade Estadual de Londrina, que realizaram um estudo sobre estresse e violência, durante quatro anos, com 180 policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar, como foi divulgado pela Folha na última terça-feira. ‘‘Não adianta só ler o relatório, temos que conversar com elas para saber também o que elas sentiram e o que pode ser feito para minimizar os problemas’’, afirmou.
Sobre o estudo, Diotaleve questiona apenas a questão da hierarquia e disciplina serem apontadas como fonte de tensão. ‘‘Se retirar a disciplina e a hierarquia da Polícia Militar, retira-se tudo. Como seria possível dar uma ordem para um soldado atender uma ocorrência se ele fosse questionar cada uma? Já imaginou um soldado dizendo: não vou atender aquele assalto, manda outro, ou vamos sentar e discutir isto? Disciplina é necessária porque traz equilíbrio. Quando se dá uma ordem, principalmente na área de segurança como a nossa, deve ser prontamente atendida’’, disse. Segundo ele, o regulamento da corporação é apenas um norteador de comportamento do PM, em serviços internos e externos.
Também questionou a informação de que não há um atendimento psicológico após alguma ação que resulte em morte, causada por um PM. ‘‘A recomendação técnica é retirar o policial da escala e encaminhá-lo para o serviço social em Curitiba imediatamente’’, disse.
Quanto às denúncias de irregularidades, o coronel disse que o comando de cada batalhão é obrigado, assim que tem conhecimento, a apurar tudo que estiver acontecendo em sua área. ‘‘Sempre que alguém tiver uma denúncia pode encaminhar para nossa ouvidoria interna, comandada pela capitão Iracema, que fará todo o procedimento’’, afirmou. (T.E.)

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