Comando da PM garante que vai negociar com invasores
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quinta-feira, 25 de outubro de 2001
Telma Elorza<br> De Londrina 
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, garantiu ontem que não vai cumprir os mandados de reintegração de posse das três áreas invadidas este ano em Londrina sem antes conversar com os invasores para uma retirada pacífica. A promessa foi feita para uma comissão de moradores, Federação dos Assentamentos e Sem-teto de Londrina e representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH/LD), numa reunião no quartel da PM.
Os moradores das áreas invadidas estavam preocupados com a possibilidade de confronto depois que foi noticiado que a PM estava se preparando para cumprir a ordem judicial. A reunião foi acompanhada pelo oficial de justiça Osvair Bisse, da 4ª Vara Cível.
''A garantia do comandante que vai conversar antes de pôr a tropa para agir já nos deixa mais tranquilos'', afirmou o advogado Jorge Custódio Ferreira, coordenador do CDH. Segundo ele, o CDH agora vai requerer uma reunião com o juiz. ''Tenho expectativa de que possa haver negociação sem a desocupação da área'', afirmou.
De acordo com o presidente da Federação dos Assentamento, José Ricardo da Silva, o objetivo de evitar violência foi atingido. ''Se houver a reintegração, os moradores vão sair pacificamente, mas vamos todos acampar na prefeitura e no Fórum, porque são famílias que não podem ficar na rua'', disse. De acordo com ele, hoje, em uma única invasão, a Nossa Senhora Aparecida, ao lado do Jardim São Jorge, na zona norte, estão cerca de 250 famílias, com 280 crianças.
De acordo com o tenente-coronel, a PM não pode deixar de cumprir uma determinação judicial. ''Se chegar a ordem de Curitiba para a reintegração, garanto que primeiro vou tentar conversar pessoalmente com as lideranças para uma retirada pacífica, respeitando inclusive os pertences pessoais de cada um'', afirmou. Mas o comandante deixou claro que se houver resistência, não vai haver alternativas senão o uso da força.
Quanto à data e estratégia de retirada, Guimarães disse que não poderia antecipar. De acordo com ele, a ordem de Curitiba está para ser dada. ''Dependo apenas de que o comando-geral determine quantos policiais de outros batalhões serão deslocados para ajudar na ação. O efetivo de Londrina é insuficiente'', afirmou.
O tenente-coronel também agendou para segunda-feira de manhã uma visita à invasão Nossa Senhora Aparecida. Segundo ele, vai tentar conversar com a comunidade para deixar as famílias mais tranquilas.


