Comando da PC é ameaçado de morte
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segunda-feira, 04 de setembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha 
Delegados do comando da Polícia Civil de Maringá estão recebendo ameaças de morte por telefone. As ligações são feitas para a 9ª Subdivisão Policial de Maringá (9ª SDP), provavelmente com o uso de telefones celulares de outros Estados clonados em Maringá. O delegado-chefe da 9ª SDP, Maurício de Oliveira Camargo, disse ontem à Folha que as ameaças começaram em abril quando o novo comando assumiu e deflagrou ações contra os desmanches. As ligações teriam se intensificado nas duas últimas semanas.
Camargo quis evitar o assunto, mas confirmou que na sexta-feira à tarde o delegado operacional José Aparecido Jacovós foi ameaçado. O telefonema, com voz masculina, durou cinco minutos. Neste período, as ameaças teriam sido feitas contra a vida de Camargo, de Jacovós e do delegado-adjunto Nilson Rodrigues da Silva. Jacovós não quis revelar detalhes da ligação, mas afirmou que a polícia está conseguindo informações que podem levar à prisão preventiva de várias pessoas.
Segundo o delegado-chefe, as ameaças podem estar sendo feitas de grupos ligados aos desmanches ou de falsários. No último mês, investigações da 9ª SDP levaram ao desmantelamento de uma quadrilha que vendia cargas de rolamentos de veículos roubadas em São Paulo inclusive com embalagens falsificadas. A polícia de São Paulo confirmou que um grupo forte está envolvido com o esquema de Maringá e que as investigações feitas por nós teriam prejudicado em muito os negócios destas pessoas, contou o delegado-chefe.
Camargo informou que as investigações em desmanches também prejudicaram o crime organizado. As quadrilhas não estavam acostumadas com investigações precisas e que resultavam em prisões, ressaltou. Somente na Kadu Autopeças, fechada em Maringá e que pertencia a Joarez França Costa, o Caboclinho, a operação da polícia resultou em autuações da Receita Estadual que somaram mais de R$ 800 mil em multas.
A Receita tinha visitado a empresa em outra ocasião e emitido uma autuação de R$ 2 mil, mas com o trabalho em conjunto as ações tiveram um maior impacto, disse Camargo.


