O Comando Geral do Corpo de Bombeiros do Paraná decidiu atacar uma prática proibida pelo Código da Polícia Militar mas que já está enraizada na corporação: a de bombeiros que têm vínculo empregatício com outra empresa, o chamado segundo emprego. Em março deste ano, todos os grupamentos no Estado foram orientados a instaurarem procedimentos administrativos para apurar qual o número de policiais que possuem uma segunda ocupação. Quem cair nesse pente fino, está sujeito a punições que variam de advertência até exclusão.
Em Londrina, o relações públicas do 3º Grupamento, capitão Ezequias de Paula Natal, informou que 28 dos 250 bombeiros que trabalham na corporação possuem vínculo com outras empresas como hospitais, prestadoras de serviços de emergências médicas, concessionárias que administram rodovias estaduais e até mesmo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que é prestado por empresas terceirizadas em municípios de médio e grande porte. ''A lei que rege o funcionalismo público militar no Estado veda o trabalho de bombeiros e militares em atividades extra-corporação com vínculo empregatício'', esclareceu o capitão, citando o artigo 7º do Código da Polícia Militar do Paraná legislação que data de 1954.
A assessoria do Comando Geral do Corpo de Bombeiros do Paraná explicou que a determinação foi tomada a partir de uma denúncia. Como a investigação ainda está em curso, o total de bombeiros que têm uma segunda ocupação não foi precisado pelo Comando. Fontes consultadas pela Folha garantiram que esse número deve se igualar ou até mesmo superar o apurado em Londrina. O salário inicial de um bombeiro paranaense é de cerca de R$ 1,2 mil para uma escala de 12 horas de trabalho por 48 horas de descanso.
Um bombeiro que possui uma segunda ocupação contou à reportagem que as empresas particulares assediam os membros da corporação porque são altamente qualificados e porque, além de atuarem no socorro, também conduzem viaturas. E os policiais aceitam principalmente por causa do reforço na conta bancária no final do mês. ''Eu tenho que fazer porque senão não consigo pagar minhas contas'', argumentou o policial, que garantiu que uma ocupação não prejudica a outra. Além do ganho extra, o bombeiro disse que na empresa particular se sente muito mais valorizado. ''Eu gostaria muito de dizer meu nome e falar onde trabalho, mas se fizer isso amanhã eu posso ser transferido para um outro município qualquer'', lamentou. Mesmo temendo represálias, ele disse que vai esperar os desdobramentos. ''Até porque a Constituição Federal diz que funcionário público não pode ter um segundo emprego público mas não proíbe um outro trabalho'', afirmou.

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