Comandante usa assalto ao ônibus 174 como exemplo
Quase um ano depois, o tenente-coronel Venâncio Alves de Moura, comandante do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) do Rio de Janeiro, tem uma opinião bastante crítica sobre a atuação da policia no assalto ao ônibus 174, seguido de sequestro, ocorrido no Rio de Janeiro em 12 de junho do ano passado. Durante quatro horas, um assaltante manteve 12 pessoas como reféns. Do lado de fora, policiais, curiosos e imprensa se aglomeravam perto do ônibus. Esta confusão resultou na morte da professora Geisa Firmo Gonçalves, que levou um tiro na cabeça disparado pelo assaltante.
O problema é que a operação ficou toda sob responsabilidade do Bope, quando deveria envolver outras polícias especiais. Houve muitas falhas no cerco, isolamento e contenção do local, disse. Para ele, esta concentração de funções em um órgão levou o então chefe da unidade, o tenente-coronel José de Oliveira Penteado, a asssumir também as negociações, quando devia estar coordenando as estratégias da ação.
Programando uma simulação do sequestro para servir de exemplo aos policiais no Seminário, Moura enumera deficiências. Se fosse hoje, primeiro pensaríamos num cerco bem feito. Seria preciso isolar todo o quarteirão, evacuar os moradores e principalmente ter um gerenciamento da crise, com alguém responsável para coordenar as ações, diz.
Depois do resultado desastroso do sequestro ao ônibus, a polícia carioca acabou criando uma Coordenadoria de Gerenciamento de Crises, com um coronel de reserva responsável por coordenar uma equipe de negociações. O Bope também recebeu uma nova área, mais adequada para treinamentos, e novos equipamentos. (M.G.)





