Comandante pede 90 dias para melhorar atuação
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terça-feira, 07 de junho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) de Londrina, major Marcos de Castro Palma, foi sabatinado ontem a tarde na Câmara de Vereadores e justificou sua fama de bom orador ao esquivar-se de assuntos polêmicos como a carência de efetivo e de viaturas, as circunstâncias da troca de comando e os recentes excessos cometidos por policiais. O major expôs seu programa de trabalho, focado essencialmente na filosofia de policiamento comunitário, e se deu um prazo de 90 dias, a contar de ontem, para que os primeiros resultados apareçam.
Dono de invejável auto-controle, o comandante preferiu não comentar o afastamento do ex-comandante do batalhão, o tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, após o episódio do espancamento e morte do carregador Jamys Smith da Silva, 20 anos, atribuída a pelo menos dois policiais. O major lamentou ''a perda de uma vida'' e argumentou que os erros que eventualmente ocorrerem ''terão as tratativas previstas em lei''. Também não aprofundou-se nas questões de carência de efetivo em Londrina e de viaturas paradas por falta de conserto. Ele argumentou que esses questionamentos deveriam ser feitos ao Comando do Policiamento do Interior (CPI). Sua função, completou, é ''gerenciar tecnicamente os recursos disponíveis e elaborar um estudo técnico para encaminhar ao Comando Geral da Polícia Militar e, se necessário for, maximizar esses recursos, qualificando o policial para exercer bem o seu papel''.
Sobre as deficiências atuais do 5º Batalhão, Palma avaliou que são necessários ''investimentos maciços na capacitação profissional''. Por outro lado, garantiu ouvir seus comandados. ''É próprio policial militar, o funcionário do povo, quem vai dizer aquilo que mais precisa para ter mais segurança para trabalhar e mais motivação para produzir um melhor trabalho no seu dia-a-dia'', destacou.
O plano de trabalho apresentado por ele ao Legislativo Municipal abrange três pontos fundamentais: crescimento do policial militar como pessoa e como profissional; melhoria do relacionamento do policial com a comunidade; aumento da produtividade do trabalho. Porém, para alcançar os resultados esperados é preciso que, primeiro, ''o próprio efetivo se torne receptivo a esse discurso''. Dentre as principais medidas estão: dar prioridade à capacitação e aos cuidados com a saúde física e mental do policial; estabelecer vínculos claros com a comunidade; ampliar o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd); melhorar a qualidade do atendimento prestado pelo 190.
O major apresentou estatísticas comparativas de roubos, furtos, homicídios, prisões e apreensões e lesões corporais registradas na área de abrangência do 5º BPM nos meses de janeiro a maio do ano passado e no mesmo período deste ano para demonstrar que elas têm se mantido, até certo ponto, estáveis de um ano para outro. Sem repassar seus dados para a imprensa, ''porque a versão final não ficou pronta'', fixou prazo de três meses para que os números regridam. ''Matematicamente, o estado de ocorrências já deve ter alteração no prazo de 90 dias, pelo menos essa é a nossa expectativa. Estamos fazendo estudos para encaminhar ao CPI e carrear aquilo que for interessante. Se esses indícios apontarem negativamente, (o plano) precisará ser revisto'', afirmou.


