Comandante do Policiamento é afastado
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quarta-feira, 23 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) afastou ontem o coronel Avelino José Novakoski da função de comandante do Policiamento da Capital, cargo que ocupava desde o dia 8 de agosto deste ano. O afastamento formal ocorreu durante a reunião semanal do secretariado. O nome de Novakoski aparece em denúncia do Ministério Público (MP) estadual por suposto envolvimento no recebimento de propina e acobertamento do jogo do bicho na região de fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Na época, Novakoski era o responsável pela Polícia Militar (PM) de Foz do Iguaçu.
''Estou afastando como uma medida governamental para que seja comprovada a denúncia num prazo de 30 dias. Mas me perdoe o Ministério Público. Analisei a denúncia e não vi consistência alguma no que se refere ao coronel. Vamos esperar as confirmações e trataremos com dureza o procurador responsável pelo inquérito caso não se materialize a denúncia. Vamos cobrar o peso da decisão que tomou o Ministério Público'', disse Requião. A notícia pegou a todos de surpresa. Novakoski estava na reunião quando foi informado oficialmente e em público sobre seu afastamento.
Ele se reuniu rapidamente com o comandante da PM, coronel David Pancotti, e saiu com os olhos lacrimejando. Em entrevista exclusiva à Folha, Novakoski diz que ficou surpreso com o afastamento e com a denúncia do MP. ''É muita injustiça. Nunca tive qualquer envolvimento com essa prática negativa. Vou esperar as investigações chegarem até o final e só falarei o que sei em juízo'', disse o coronel.
As investigações do MP foram desencadeadas com a Operação Avalanche, realizada no início do mês em Foz do Iguaçu. Cinco delegados e um superintendente da Polícia Civil foram afastados dos cargos imediatamente, além de um capitão da PM. Um dos delegados, José Roberto Jordão, então delegado-chefe da 6 Subdivisão Policial de Foz, foi preso em flagrante ao receber R$ 1 mil de propina dos empresários do Jogo do Bicho.
''Vou dar 30 dias para que seja provada a denúncia contra o coronel. Caso contrário, ele será reitegrado ao cargo que ocupava e agiremos com rigor contra os denunciantes'', afirmou Requião. Para a denúncia, o MP se baseou nas gravações telefônicas que citariam Novakoski como um dos oficiais que receberiam uma mesada de R$ 4 mil por mês para acobertar o jogo na fronteira. ''Agora, eles (promotores) terão todas as quebras de sigilo à disposição. Se o dinheiro existia, terão que rastrear'', pontuou. Novakoski era o nome preferido de Requião para a sucessão de Pancotti no comando da PM do Paraná. Com as denúncias, é provável que Pancotti permanece no cargo, mesmo estando na reserva. ''Ele (Pancotti) não precisa sair. Pode continuar no comando, mesmo sendo coronel reformado'', deu a dica.
Pancotti encaminhou ontem as denúncias do MP para a Auditoria Militar que terá prazo de 30 dias para encerrar as investigações. Um Inquérito Policial Militar (IPM) normal tem prazo de 40 dias para ser concluído, com até 20 dias de prorrogação. Pancotti se disse chateado com as denúncias contra o colega e prometeu se pronunciar no final das investigações. ''Estamos fazendo nosso papel'', limitou-se a dizer. Assumiu ontem mesmo o cargo de comandante do Policiamento da Capital o coronel Altair Mariot, que era o comandante do Batalhão da Polícia de Trânsito (BPtran) de Curitiba.


