Curitiba O secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, determinou ontem o afastamento do comandante do Pelotão de Choque de Londrina, o tenente Paulo Roberto Silotto. Segundo Delazari, o motivo da exoneração foram os recentes assassinatos de jovens por policiais, como o ocorrido com o carregador Jamys Smith da Silva, morto há três semanas. O substituto de Silotto deve ser anunciado quando o novo comandante da Polícia Militar de Londrina, major Marcos de Castro Palma, assumir o cargo. A posse do novo comandante deverá acontecer amanhã, às 10 horas. Ele substitui o tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, afastado pelo secretário após a morte de Jamys.
A decisão de afastar Silotto ocorreu após uma reunião com José Carlos da Silva, o Zequinha, pai do jogador de futebol Raphael Bezerra da Silva. Raphael, de 20 anos, morreu no dia 26 de dezembro do ano passado após passar 41 dias em uma UTI por ter levado 14 tiros em uma abordagem da Rone no dia 16 de novembro de 2004. Os policiais procuravam um receptador de carros roubados e, segundo depoimento de testemunhas, entraram atirando na casa onde estaria o suposto criminoso.
Para Delazari, a troca no comando do Pelotão de Choque se fez necessária em virtude das denúncias trazidas por Zequinha. ''Ele trouxe dados técnicos que mostram que existem discrepâncias nas perícias feitas para apurar a morte do filho dele. A troca no comando se faz necessária porque dois dos envolvidos na ação têm quase 10 homicídios cada em sua ficha policial, fatos que o comando não informou a secretaria'', afirmou.
Segundo Delazari, casos de violência policial em Londrina não são novidade. ''Há cerca de um ano eu já havia determinado a troca do comando do policiamento, e agora fomos novamente forçados a fazer esta mudança. Essa oxigenação é necessária e benéfica tanto para os policiais como para a população. Além disso, ela mostra o rigor com que estamos tratando casos de abusos de policiais. Desde o início de 2004, já afastamos mais de 110 policiais militares e mais de 50 policiais civis.''
Zequinha disse estar satisfeito com a decisão do secretário. E afirmou que está recebendo ameaças de morte pelas denúncias contra os policiais. ''Eu tive que mandar minha filha e minha mulher para Europa, além de ter que mudar de residência por estar sofrendo ameaças. Mas eu não vou desistir enquanto a Justiça não for feita'', declarou.

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