Comandante da PM se contradiz
De Curitiba
O comandante geral da Polícia Militar, coronel Luiz Fernando de Lara, disse ontem que os incidentes que provocaram uma guerra declarada entre as polícias Militar e Civil foram causados por pessoas radicais, que não querem a unificação das polícias. As atitudes seriam, segundo Lara, corporativistas e baseadas até mesmo em interesses pessoais. A crítica tem como endereço o demissionário corregedor geral da Polícia Civil, Annibal Bassan Júnior, e o ex-diretor da Escola de Polícia, Adauto de Oliveira, que estão no centro da briga com a PM.
Apesar de demonstrar posição favorável a unificação das corporações, o próprio Lara defendeu tese contrária num jornal interno chamado Informe PM, publicado em julho do ano passado. Não podemos admitir que pessoas com ideologias contrárias à democracia ocupem o poder e acabem com a corporação simplesmente porque não gostam da farda da Polícia Militar, afirmou o coronel num seminário interno, realizado em Ponta Grossa, para apoiar a então candidatura de reeleição do deputado federal Abelardo Lupion (PFL).
Para o delegado Adauto Oliveira, as teses estaduais de unificação não passam de demagogia. Oliveira disse que nada pode ser unificado sem a mudança da legislação federal, que, aliás, prevê a extinção da PM. Conforme o delegado, o discurso da unificação serve para a PM abocanhar espaço da Polícia Civil. Eles usam jogo de palavras para ocupar nosso espaço, disse. Oliveira se refere ao fato de setores da PM fazerem investigações, função exclusiva das autoridades civis.
Favorável a mudança na estrutura das polícias brasileiras, o corregedor Annibal Bassan disse que o impasse entre as corporações é histórico, mas que foi acirrado pela agressão de PMs a três delegados há duas semanas. No País inteiro as polícias ficam se engalfinhando nos bastidores, afirmou. Segundo Bassan, uma corporação tenta mostrar que é melhor que a outra.





