Curitiba - O comandante da Polícia Militar, coronel Gilberto Foltran, classificou ontem o movimento das mulheres dos policiais militares como ''inoportuno''. Desde a última quarta-feira, elas fecharam os portões dos principais batalhões da PM e o quartel geral, em Curitiba, impedindo as viaturas de sair. As mulheres protestam contra a proposta de reajuste salarial apresentada pelo governo na última semana e pedem revisão do plano de gratificação.
Ontem, as mulheres ainda buscavam estratégias para fortalecer o movimento e impedir a circulação das viaturas. No 13º Batalhão, no Capão Raso, elas chegaram a improvisar uma valeta em frente a um dos portões para que bloquear a passagem. Segundo Izabel Neves, uma das líderes do movimento, cerca de dez mulheres passam a noite em frente ao quartel desde o início do protesto.
''É sofrido, mas não vamos desistir'', disse sinalizando que as mulheres não pretendem deixar as portas dos quartéis sem que o governo apresente nova proposta. ''Do jeito que está é um absurdo, não temos garantia nenhuma de que o próximo governo vá se responsabilizar pelo acordo'', opinou.
O coronel Gilberto Foltran explicou que não há como atender a reivindicação das mulheres, principalmente por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal. ''O governo fez o que podia, nesse momento não há mais como rever a proposta que foi feita'', disse. Alega, no entanto, que nada impede a retomada das negociações futuramente. Foltran nega ainda que o movimento esteja prejudicando o policiamento. ''Está tudo normal'', garantiu.
O governo propôs aumento da gratificação especial em 130% para os policiais. O reajuste será feito em três parcelas. A primeira seria paga em janeiro de 2003. As demais, em janeiro de 2004 e 2005. Com a proposta do Estado, um soldado de primeira classe com 22 anos de polícia e que atualmente ganha R$ 897,87 passará a receber, ao fim dos três anos, R$ 1.170,71.

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