O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) em Londrina, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, foi afastado ontem pelo governador Roberto Requião. O motivo teria sido a declaração feita por Cruz Neto à Folha, de que a morte do carregador Jamys Smith da Silva, 20 anos, teria sido um ''acidente de trabalho'' cometido pelos policiais envolvidos.
Jamys morreu na madrugada de domingo após ser espancado por policiais militares por não ter baixado o volume do som enquanto promovia uma festa na própria residência. Eles teriam aumentado o volume. Os soldados Marcos Aurélio da Silva Barbosa e Juliano Ferraz Dias estão presos. Outros 20 policiais militares foram tirados das ruas e colocados em serviços internos.
Em nota da Agência Estadual de Notícias, o governador Roberto Requião disse que o crime é ''inadmissível'' e que estaria disposto ''a trocar todo o comando para impedir abusos cometidos por policiais''. Fontes da PM ouvidas comentaram que o caso reflete a estrutura precária do Batalhão, classificado como ''muito problemático''. As últimas três substituições de comando no 5º BPM aconteceram após crises.
O secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, argumentou que Cruz Neto foi afastado ''porque é inadmissível que um comandante permita que sua tropa cometa crimes ou qualquer outro tipo de abuso. ''É preciso que os comandantes sejam mais firmes, controlem seus policiais'', observou o secretário. No atual governo, 109 policiais militares já foram expulsos da corporação por abusos cometidos durante o exercício da função.
Mais policiais militares em Londrina podem ser tirados das ruas nos próximos dias. Segundo Delazari, à medida que as investigações sobre o episódio trouxerem novos envolvidos, eles poderão ser afastados das funções. ''Foi um crime grave, que vai na contramão do que já implementamos'', comentou ontem Delazari, em entrevista à Folha.
''Vamos adequar o comando à política do governo, que é do policiamento comunitário'', disse. Delazari explicou que o policial tem que ser um rosto conhecido e de confiança da população, e não alguém sem nome, sem identidade para os moradores. Ele quer mais rigor no comando.
Fontes da cúpula da Polícia Militar ouvidas pela Folha criticaram que a mudança do comando não vai acabar com os excessos cometidos por policiais. De acordo com essas fontes, o problema reflete o estresse vivido pela tropa e que é provocado pela carência de efetivo, condições de trabalho adversas como viaturas sucateadas e a falta de reciclagem profissional. O comandante interino do 5º BPM, capitão Altivir Cieslack, afirmou que ''nenhum estresse nem qualquer adversidade justifica o fato que ocorreu'', destacou. (Colaboraram Maria Duarte e Alan Maschio)

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