Comandante critica extinção da dívida do Funrebom
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quinta-feira, 27 de junho de 2002
Chiara Papali<BR>Reportagem Local 
Não foi a atitude mais sensata, foi assim que o comandante geral do Corpo de Bombeiros do Paraná, coronel Ivaldo Marchesi, avaliou a decisão da prefeitura de Londrina de extinguir a dívida de cerca de R$ 8 milhões que tem com o Funrebom (Fundo Municipal de Reequipamento do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado do Paraná). A decisão foi um consenso entre o prefeito Nedson Micheleti (PT) e os vereadores Tercílio Turini (PSDB), Orlando Bonilha (sem partido), Leonilson Jaqueta (PMDB) e Márcia Lopes (PT), durante reunião realizada anteontem.
Para o comandante, outras alternativas poderiam ter sido levantadas para solucionar o problema. Segundo Marchesi, o comando esteve sempre aberto a negociações, apesar de estar cobrando o repasse integral do fundo há oito anos de outros prefeitos. Extinguir a dívida não é a atitude mais sensata e uma ilegalidade por contrariar o convênio que tem finalidade específica entre o município e o Estado. Eticamente, isso obrigaria que a prefeitura devolvesse à sociedade os recursos arrecadados e não aplicados, afirmou.
Marchesi disse que vai aguardar a definição final da prefeitura, mas já sinalizou que se a decisão for mantida o Ministério Público e o Tribunal de Contas deverão ser acionados. O serviço oferecido a população está aquém da capacidade dos bombeiros por falta de recursos, disse.
Ele acrescentou ainda que uma forma de negociação seria a prefeitura repassar o suficiente e necessário para resolver os problemas imediatos, como frota sucateada, falta de equipamentos e instalações inadequadas no quartel. A decisão do prefeito em fazer o repasse integral a partir de agora é oportuna e conveniente, mas é necessário mais para sanar os problemas que se acumularam, disse.
O coronel Gilberto Foltran, comandante geral da Polícia Militar, acredita que a extinção do débito pode até ser uma solução. Mas não sei se seria a melhor, é uma questão ainda a se discutir, disse. O vereador Turini também enfatizou que o assunto ainda vai ser discutido na Câmara.
O secretário de Governo, major Adalberto Pereira, disse que o caixa da prefeitura não permite assumir a dívida. A prefeitura se dispôs a repassar o arrecadado, R$ 8 milhões não é necessário neste momento para o Corpo de Bombeiros, afirmou.


