Comandante anuncia IPM em Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de maio de 2001
Lúcio Flávio MouraDe Londrina 
O tenente-coronel Robenson Máximo Fim, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, com sede em Londrina, disse ontem que os policiais militares acusados de insubordinação e motim durante o movimento contra o não-pagamento da gratificação especial aos praças deverão ser investigados através de um Inquérito Policial Militar (IPM) e poderão ser punidos. A declaração foi dada pouco antes das mulheres desbloquearem a entrada do quartel, após quatro noites e cinco dias de resistência. Elas encerraram a mobilização com um ato cívico no Calçadão, onde sepultaram sob palavras de ordem o corpo do governador Jaime Lerner (PFL).
A afirmação foi feita durante um encontro pela manhã no quartel, no qual estiveram reunidos vereadores, membros do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina e uma representante do grupo dissidente da associação das esposas dos PMs. É uma ordem superior que será cumprida, justificou o comandante, que na terça-feira foi vaiado e viu um grupo de policiais se virar de costas antes de uma palestra sobre motivação profissional.
Foi uma grande humilhação, mas não considerei uma manifestação contra minha pessoa. Estou triste com tudo o que aconteceu nos últimos dias, mas sei que foi um movimento legítimo, confessou o tenente-coronel durante a reunião. Ele garantiu que nenhum policial será punido em hipótese nenhuma pelas manifestações de suas esposas.
Além do grupo que esteve no auditório do Com Tour, estão na mira do comando-geral da PM paranaense os praças que não se apresentaram em uma chamada geral convocada na noite de anteontem. Nós sabemos quem tinha motivos para não se apresentar, afirmou Fim. A Folha apurou que o grupo de cerca de 30 policiais encapuzados que faziam a proteção das mulheres que acamparam em frente ao batalhão também correm risco de punição.
Os três vereadores Elza Correia (PMDB), Márcia Lopes (PT) e Jamil Janene (PDT) que se prontificaram a intermediar a negociação entre o comando e os manifestantes tentaram obter, sem sucesso, um compromisso assinado de anistia para os dois casos, a última das reivindicação das mulheres dissidentes. As relações de hierarquia mudam conforme a influência da mídia e dos costumes e a corporação não é imune a isto, observou Márcia Lopes, durante a reunião. Fim disse que a anistia era uma medida fora de seu alcance, cabendo ao comando-geral em Curitiba.
Os vereadores conseguiram, no entanto, um compromisso do comandante de comparecer na Câmara Municipal para esclarecer todos os pontos da crise que abalou a PM em Londrina e para traçar um panorama da situação atual da corporação. O pronunciamento seguido de uma sabatina deve ocorrer na sessão de quinta-feira. Também foi firmado entre os presentes o compromisso de montar uma comissão para acompanhar o inquérito e de tentar uma audiência com o governador Jaime Lerner (PFL).
A não-concessão da anistia foi a última da série de derrotas que abateu as manifestantes, que anteontem, no quarto dia de acampamento, sofreram o golpe final com o racha na Associação das Esposas dos Policiais Militares, entidade que correu o risco de ser multada diariamente em R$ 100 mil se desobedecesse a determinação judicial que garantiu o desbloqueio dos quartéis. Elair Beleti, a vice-presidente, e Vera Lúcia Rubbo, relações públicas, entregaram o cargo e disseram que nunca mais querem saber desta entidade. A presidente Rosilda Aparecida Carlos e a relações públicas Maria Conceição dos Santos apontada como culpada pelo enfraquecimento do movimento ao aceitar uma proposta do governo do Estado considerada desfavorável pela maioria apoiaram o cumprimento da determinação e, em nota oficial, se eximiram de qualquer responsabilidade sobre a atitude do grupo dissidente, formado por 30 mulheres.
O racha chegou as vias de fato na noite de anteontem quando o filho de Conceição, o primeiro soldado a aparecer na chamada geral, revidou uma agressão de duas mulheres que tentaram impedi-lo de se enquartelar. Conceição tentou intervir e também foi agredida.


