Com três anos de atraso, ciclovia da Saul Elkind deve ser concluída
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

A execução do projeto de construção do segundo trecho da ciclovia da avenida Saul Elkind (zona norte de Londrina), atrasada há mais de três anos, aguarda a assinatura da ordem de serviço para ser efetivada. A empresa DJ Ltda., de Londrina, venceu a licitação e o contrato foi firmado no último dia 24 de janeiro, mas, para que a obra comece, falta a assinatura do documento que autoriza o início dos trabalhos.
O segundo trecho da ciclovia terá 2,470 quilômetros de extensão, entre a rodovia Carlos João Strass e a avenida Angelina Ricci Vezozzo. A obra começou em 2014 e já deveria ter sido concluída, mas a empresa responsável pela construção abandonou o projeto, alegando que os valores haviam inflacionado e não correspondiam mais à realidade do contrato, e entregou apenas os primeiros três quilômetros, entre a avenida dos Garis e a Carlos João Strass. A obra está paralisada desde 2015.
Em novembro de 2018, a prefeitura abriu nova licitação para a conclusão da ciclovia e a empresa londrinense DJ Ltda. venceu a concorrência pública ao apresentar o menor valor: R$ 344.376,67. O valor máximo previsto no certame era de R$ 391.356,44. Para a empresa iniciar os trabalhos é preciso que seja assinada a ordem de serviço pela secretaria municipal de Obras. O secretário, João Verçosa, está de férias e a informação repassada pela pasta é de que não há data prevista para a assinatura do documento. Após a assinatura, o projeto deverá ser entregue em até 150 dias.
"No tempo em que a obra esteve parada, tivemos intercorrências, como o plantio de árvores no canteiro da avenida Saul Elkind, onde iria passar a ciclovia. Em 2017, o Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) refez o projeto, adequou e finalizou. Quase perdemos o recurso", disse a diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul, Denise Ziober.
Os recursos são provenientes de um convênio firmado em 2012 com o Ministério do Turismo e a Caixa Econômica Federal. Foram liberados quase R$ 700 mil para a execução do projeto. A licitação foi aberta em abril daquele ano e, além da construção da ciclovia, o edital previa também serviços de terraplanagem, pavimentação asfáltica, sinalização e instalação de dispositivos de segurança. "A Caixa quis cobrar o contingenciamento porque (o dinheiro para a obra) estava há muito tempo à disposição de Londrina e os projetos não foram executados. Além da ciclovia, quase perdemos também os recursos do Superbus e do Arco Leste", comentou Ziober.
PEDESTRES
O trecho já concluído da ciclovia quase não é usado pelos ciclistas. Nos horários de maior movimento, no início da manhã e no final da tarde, o espaço é tomado por pedestres que utilizam o trecho asfaltado sobre o canteiro central da avenida para fazer caminhadas e não acaba sobrando espaço para quem circula de bicicleta.
"Isso no canteiro é uma ciclovia? Não sabia porque é mais pedestre que eu vejo usando. Os pedestres usam para fazer caminhada e nem dá para as bicicletas passarem", disse o policial militar Rodivaldo Maximiliano. "Acho muito útil e uma ciclovia aqui, mas acho que o pessoal nem sabe que isso aí é uma ciclovia porque falta sinalização indicando que é para os ciclistas e eles ficam com receio de passar por ali."
O aposentado Luiz Gilberto de Souza tem na bicicleta seu principal meio de transporte. Conhece todas as ciclovias da cidade e, sempre que possível, trafega por esses espaços. Na ciclovia da avenida Saul Elkind, diz ele, é difícil circular sobre duas rodas por causa da grande quantidade de pedestres. "Tem que parar para os pedestres passarem e andar devagar", ensina. "Onde não tem ciclovia, vou pela rua, no meio dos carros até poder pegar a ciclovia de novo. Alguns motoristas respeitam, outros tentam fechar a gente. Já quebrei o dedo porque caí quando um motorista abriu a porta do carro bem na minha frente e eu bati. Caí no meio da rua. Se viesse um carro, me pegava. Tem que tomar muito cuidado com porta de carro."
Proprietário de uma bicicletaria no trecho da Saul Elkind onde ainda não há ciclovia, Anderson Inácio Santana considera a obra desnecessária. "O que falta por aqui são árvores, não ciclovia. No outro trecho da avenida, onde a ciclovia já foi feita, eu vejo muitos pedestres usando, eles tomaram conta. As bicicletas vão mesmo pela rua."
É o caso do aposentado Luiz Moraes. Morador da zona norte, ele circula pela região de bicicleta há mais de 20 anos e há cerca de um ano instalou um motor no veículo para reduzir o esforço físico. Mas evita passar pela Saul Elkind, muito movimentada. Prefere utilizar as vias secundárias. "Mas quando não tem outro jeito, vou pela Saul", conta. Disputa espaço com os carros, motos, ônibus e caminhões e raramente vai pela ciclovia. "Não adianta a ciclovia."
MOBILIDADE
Segundo a diretora, a construção de ciclovias está prevista no Plano de Mobilidade Urbana. "Estamos fazendo em paralelo uma proposta de um projeto cicloviário, vamos verificar todos os trechos que necessitam de ciclovias. Dentro do Plano de Mobilidade, estamos direcionando rotas mais acessíveis de modais não motorizados e estudamos também a interligação das ciclovias", explicou Ziober, que ressaltou que outros pequenos trechos também estão sendo executados por empresas que se instalam em Londrina, como parte do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança). Atualmente, de acordo com o Ippul, Londrina tem 41,936 quilômetros de ciclovia, já computados os 5,4 quilômetros da avenida Saul Elkind, mas os trechos estão espalhados e não são integrados, dificultando o deslocamento dos ciclistas entre as regiões da cidade.
Um novo trecho de ciclovia que deve ser construído em breve, ressaltou Ziober, está dentro do projeto de construção do "oitão" na PR-445, na altura do viaduto sobre a avenida Madre Leonia Milito. A mudança viária consiste em duas rotatórias que irão facilitar o acesso à rodovia, nos mesmos moldes do cruzamento da PR-445 com a avenida Ayrton Senna. "A obra do oitão vai aliviar o trânsito na rotatória que fica no cruzamento das avenidas Ayrton Senna e Madre Leonia Milito porque os motoristas não precisarão mais andar até lá para fazer o retorno e acessar a rodovia", destacou a diretora.


