Com superlotação, todo espaço é aproveitado
Londrina - Em Foz do Iguaçu, as contas indicam que existem terrenos vagos nos cemitérios municipais até, no máximo, agosto deste ano. A Prefeitura de Cascavel derrubou um barracão e está usando canteiros e algumas ruas do Cemitério Parque São Luis para abrir novas vagas.
Mas um dos cenários mais críticos que a reportagem encontrou foi em Apucarana, onde são feitos entre 70 e 80 sepultamentos mensais. Construído no início da década de 1960, hoje nem o canteiro da rua principal do Cemitério Cristo Rei foi poupado.
Árvores foram derrubadas para dar lugar a novos jazigos. As antigas ruas laterais há anos não existem mais. As fileiras de gavetas destinadas aos carentes também já precisam ser ampliadas. Até áreas entre árvores ou em frente de bueiros foram ocupadas. Outros problemas sérios são as muitas sepulturas abandonadas -algumas delas com ossadas expostas- e o acúmulo de lixo.
Com vários familiares sepultados no Cristo Rei, a aposentada Geni Soares, 69, visita o local desde 1965. "As ruas eram largas, tinha laranjeiras e pés de manga. O túmulo da minha família era um dos últimos e hoje está espremido no meio dos outros". O caso de Terezinha Gonçalves, 66, é pior. O jazigo da família foi dividido em dois e uma das partes foi vendida sem permissão. "Fiquei muito chateada porque tinha que ser pelo menos comunicada antes", criticou.
A "superlotação" fez com que uma professora aposentada (que não quis se identificar) entrasse com ação na Justiça questionando a iniciativa, que não teria preservado nem um pequeno gramado em frente ao jazigo da família. A professora enviou até carta à prefeitura mas de nada adiantou.
O superintendente da Autarquia de Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Apucarana (Acesfa), Geraldo Ferreira, admitiu o uso de todo e qualquer espaço vazio, mas argumentou: "a obra do cemitério particular foi embargada pelo Ministério Público há quatro anos. Se estivesse pronto, iria amenizar porque teríamos 2 mil espaços públicos. Como isso não aconteceu, começamos a espremer no Cristo Rei e, dentro de seis meses, não haverá mais vagas". Quando isso ocorrer, o cemitério do Distrito Rural de Pirapó, será a única opção. Ferreira adiantou que a prefeitura irá construir outro espaço, mas nem a área foi definida. Por outro lado, ele citou que as desapropriações de jazigos abandonados não são uma alternativa rápida.
Sobre as ossadas expostas, Ferreira disse que a situação é fruto de vandalismo. "Trocamos entre 60 e 80 lajes por mês", falou. Quanto ao lixo acumulado, ele garantiu que uma empresa será contratada para fazer a limpeza.
Em Foz, o engenheiro do Departamento de Serviços Urbanos, José Augusto Carlessi, disse que, dos cinco cemitérios, restam poucos lotes em três. Carlessi afirmou que um deles é possível ampliar usando duas áreas vizinhas.
O encarregado administrativo da Autarquia dos Cemitérios de Cascavel (Acesc), Marcos Godoi, também acusou falta de vagas nas três áreas municipais e a previsão é de que elas durem até novembro. São cerca de 150 sepultamentos por mês. "Em um dos cemitérios, tivemos que usar canteiros, derrubamos barracões para construir 288 novas vagas no Parque São Luis e estamos fazendo gavetários verticais no Central e no Jardim da Saudade". Ele informou que o município pretende construir um novo cemitério, mas não encontra terrenos na zona urbana. (L.A.)





