Um balde cheio de água misturado com tinta guache vermelha. A combinação feita para lembrar sangue lavou a calçada em frente à sede da Urbanização de Curitiba S.A.(Urbs) na manhã de ontem, durante um protesto organizado por várias entidades estudantis contra o aumento da passagem de ônibus na cidade.
O "sangue" foi usado pelas estudantes para lembrar as recentes tragédias no transporte coletivo da Capital. Apenas doze jovens lideranças representaram a classe estudantil, ainda em férias. O protesto foi pacífico e chamou a atenção de quem circulava pela Rodoferroviária,
onde fica a sede da Urbs.
O novo valor da passagem de ônibus em Curitiba e em outros 13 municípios da região metropolitana entrou em vigor no dia 12 de janeiro. De R$ 1,90 -valor da tarifa desde abril de 2004- a passagem passou a custar R$ 2,20. O reajuste ficou em 15,7%. No mesmo período, a inflação foi de 33,85%, medida pelo índice Geral de Preços de Mercado (IGPM), segundo a Urbs. A empresa informou ainda que no período em que o valor da tarifa ficou congelado, o óleo diesel acumulou 52,2% de aumentou.
Nenhuma das justificativas dadas pela Urbs serviu para convencer os estudantes, que também usaram cartazes e palavras inflamadas para chamar a atenção. O presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), Rafael
Clabonde, disse que o movimento vai continuar atuando contra o aumento que considera abusivo. Para ele, um serviço sem qualidade é oferecido pela empresa. "Se hoje já está lotado, imagine quando voltarem as aulas.
Aumentaram R$ 0,30 e não há melhoria nenhuma", disse.
Na época do aumento, a Urbs
argumentou que o reajuste vai permitir a ampliação da frota. A previsão é de que 152 novos ônibus passem a circular. Outros 324 deve ser substituídos. Para Clabonde, a falta de qualidade no transporte continua, por isso o aumento não é justificável.
Para os manifestantes, o resultado da baixa qualidade são tragédias como a que aconteceu com a auxiliar de serviços gerais Cleonice Ferreira Gouveia, 29 anos, que morreu no dia 28 de janeiro depois de cair de um ônibus na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A porta abriu e ela foi atropelada. Os estudantes justificaram o sangue simbólico como forma de protestar contra acidentes como o de Cleonice.
Quem não gostou da lavagem da calçada da Urbs com "sangue" foi o presidente da instituição, Marcos Isfer. De acordo com a assessoria da Urbs, Isfer estava pronto para ouvir a comissão montada pelos manifestantes, mas mudou de idéia depois que o balde de água com tinta guache vermelha foi espalhado na frente do prédio. Ele considerou que o prostesto causou danos ao bem público e por isso decidiu não receber os estudantes. A assessoria informou ainda que a Urbs está aberta para diálogo com os movimentos sociais. Além da UPES, a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) participaram do ato.

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