Em diferentes regiões da cidade, londrinenses sofrem com o despejo ilegal de resíduos de construção. A doméstica Ana Delamura, moradora do Jardim Paulista (Zona Norte), aponta que uma área verde na Rua Danilo Orcelli, nas cercanias de sua casa, há muito é utilizada por carroceiros para jogar sujeira. ''Muita gente que limpa data traz (resíduos) pra cá. Esses restos de construção acabam estimulando o pessoal a jogar todo tipo de sujeira aí. Aparecem ratos, traças. E acho que pode ter até foco de dengue'', apontou.
Em frente à residência do caseiro Luís Carlos Lopes, no Conjunto Cafezal (Zona Sul), há um terreno baldio onde foram despejados ao fundo tijolos, azulejos quebrados e restos de cimento. ''Jogam aí direto. Já vi caminhão de caçamba despejar sujeira à vontade. É perigoso pra quem tem criança, como eu. E nunca vi fiscalização'', acusou.
O motorista de frete Vicente Albino Pires mora numa área sem asfalto na continuação da Avenida João Nicolau, no Jardim Tókio (Zona Oeste), e conta que há cerca de um ano um caminhão de caçamba despejou uma grande quantidade de restos de construção nas proximidades de sua residência. ''Jogaram quando eu não estava em casa. Era tanta sujeira que bloqueava a continuação da trilha. Tive que espalhar os resíduos'', afirmou ele.
Segundo Pires, este foi o único despejo próximo à sua casa desde que ele mora no bairro, há 17 anos, mas a falta de atenção do poder público incomoda. ''Não veio ninguém limpar. Aqui não passa nem lixeiro'', reclamou.
Porém, onde muitos enxergam sujeira, alguns visualizam oportunidades. Há cerca de três anos, o ator e produtor Poka Marques reutiliza restos de demolições. Ele aproveita madeira usada de peroba para fazer cadeiras e outros móveis, e com outros resíduos construiu boa parte de sua casa, no Jardim Monte Carlo (Zona Leste).
''Fiz o piso da varanda com azulejos velhos, usei dormentes de trilhos de trem no lugar das colunas do muro, reaproveitei vidro blindex que tinha sido jogado fora. Gastei na casa apenas 60% do total que gastaria se comprasse só material novo'', calculou, que já foi procurado por arquitetos e decoradores para explicar como faz esse reaproveitamento. ''É tudo uma questão de bom senso. É um absurdo o que se joga fora nesse país'', apontou.

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