Londrina - Um dos momentos mais marcantes na infância dos filhos é quando eles começam a falar. Mas este é também o início de um período de muitas dúvidas e incertezas para os pais. Com que idade as crianças começam a falar? Até quando é normal elas trocarem as letras e sons? Como incentivar o processo de aquisição da linguagem? A partir do momento em que os bebês emitem os primeiros sons essas e outras perguntas passam a fazer parte das indagações dos pais.
De acordo com a professora Liliam Barros Franco Viléla, especialista em psicopedagogia do curso de Fonoaudiologia da Unopar, a partir de um ano de idade a criança começa a falar as primeiras palavras e aos dois anos já deve estar formando frases. Nessa fase é normal ela trocar os sons mas há crianças que já começam a falar sem fazer nenhuma troca.
"Existe uma ordem de aquisição de sons, geralmente primeiro o P, o T e o K e depois os outros sons mas é normal que a criança faça algumas trocas, já que a fala é um processo. No entanto, até os seis anos de idade ela deve estar falando todas as letras e sons corretamente", alerta a professora.
Os pais podem ajudar nesse processo falando corretamente com os filhos. "De modo geral, à medida que crescem as crianças conseguem passar do "papá" para "comida" ou do "auau" para cachorro. No entanto, se a criança tiver algum problema pré- existente, como um deficit intelectual, por exemplo, falar com ela de maneira infantilizada pode atrapalhar o seu desenvolvimento oral", alerta a especialista.
Entre um e três anos de idade a criança está na fase mais importante de aquisição de linguagem, por isso, segundo Liliam, é importante que ela seja estimulada. Isso inclui incentivá-la a verbalizar seus desejos, sentimentos e sensações: "Os pais devem evitar falar pela criança, atender pedidos feitos com gestos ou tentar ‘adivinhar’ o que ela quer antes mesmo que ela peça", explica. As crianças que são mais socializadas, ou seja, frequentam uma escola ou participam de atividades com outras crianças, aprendem a falar mais rápido.

Gagueira
Outro motivo de alerta nessa fase é a gagueira. Esse distúrbio é de origem genética, na maioria dos casos, e não tem cura. Porém, se o diagnóstico for precoce ela pode ser recuperada. "Os pais não devem corrigir a criança e sim procurar ajuda profissional o mais rápido possível. Somente um fonoaudiólogo poderá dizer se a criança realmente tem gagueira ou se a disfluência ao pronunciar as palavras é causada por algum ouro fator", indica Liliam.
A mesma orientação vale para o sigmatismo, uma dificuldade de posicionamento da língua que faz com que a criança pronuncie vários fonemas de maneira errada. "É muito difícil a criança recuperar essa dificuldade sozinha ou só com a ajuda dos pais. Geralmente ela vai precisar de orientação profissional", garante Liliam. Ela observa que a maioria das crianças responde bem aos tratamentos, principalmente quando os pais se envolvem e ajudam nos exercícios recomendados.

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