Com proibição da greve, policiais mudam estratégia
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
Marcela Rocha Mendes<BR>Equipe da FOLHA 
Curitiba - Às vésperas do início da paralisação, liminar da Justiça proibiu a greve dos policiais civis no Paraná. O Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol) e o Sindicato da Polícia Civil de Londrina (Sindipol) receberam ontem a determinação de que, se algum policial deixar de trabalhar por justificativa de greve, terá desconto no salário e punição administrativa. O descumprimento implica em multa diária de R$ 2 mil.
A greve começaria hoje. A categoria tem uma pauta de reinvindições extensa, mas o ponto base é a questão salarial. A classe pede a equivalência de vencimentos às carreiras de nível superior do Estado, piso de R$ 1.955.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) ingressou anteontem com ação requerendo a declaração da ilegalidade da greve e determinando a manutenção integral dos serviços. O pedido foi baseado na alegação que a paralisação colocaria em risco a população e de que o servidor que realiza atividades essenciais não pode fazer greve.
Segundo o presidente do Sinclapol, André Gutierrez, a multa imposta poderia ser absorvida pelos sindicatos por cerca de dez dias de greve, mas a preocupação com a punição dos policiais levou à decisão de cancelar a paralisação.
Contudo, para Gutierrez, a liminar atinge ''um ponto interessante'' que será usado para pressionar o governo. ''Entendemos que não deverá haver mais desvio de função. O que não for atividade de policial civil, não será mais realizada.''
Como exemplo ele cita a condução de presos da delegacia para fóruns e a guarda da carceragem. ''O policial que cuidava de preso vai entregar a chave para o responsável pela unidade. (A população) será melhor atendida, porque agora o investigador vai só investigar.''
Segundo o presidente do Sindipol de Londrina e Região, Ademilson Batista, a entidade pretende levar jornalistas até algumas delegacias para conhecerem a realidade do sistema carcerário. ''Vamos continuar o movimento com mais força ainda, informando a sociedade sobre a dificuldade dos policiais civis.'' O Sinclapol entrou ontem com recurso.
Guardas Municipais
Nesta segunda-feira deve começar a greve dos guardas municipais de Curitiba. São cerca de 1,7 mil guardas e, segundo a diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sismuc), Alessandra de Oliveira, 30% do efetivo permanecerá em atividade. A categoria reivindica piso salarial de R$ 1,3 mil - hoje o salário base está em R$ 710. A prefeitura ofereceu reajuste de 6%, além de reposição salarial e estruturação do Plano de Carreiras, o que foi recusado. Carreata será realizada hoje pela manhã.
Já motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba aceitaram a proposta patronal e suspender a paralisação que começaria na próxima semana. O acordo prevê aumento de 4,5%. (Colaborou Fernanda Borges)


