Especialista em bioética e docente da Universidade Estadual de Londrina, na área do Direito Privado, Walkiria Benedeti Cardozo Araújo defende uma revisão nos valores éticos absorvidos pelos futuros advogados. ''Não digo isso me referindo aos bancos universitários, nos quais existem grandes colegas habilitados para exercer a função, que passam o melhor para a formação do futuro profissional em Direito. Refiro-me a uma parcela de acadêmicos, que, quando vejo, fico alerta. Eles me passam uma impressão de um poder desmedido, regidos por uma sociedade consumista, onde se perde a identidade e a sensibilidade de como agir corretamente''.
Walkiria exemplifica com os casos Suzane Von Richthofen, de 2002, acusada de ser a mandante do assassinato dos pais, e, o mais recente, envolvendo a estudante Paula, de Campinas, chefe de uma quadrilha. Ambas, estudantes de Direito. ''Elas vêm de famílias ricas, cursavam a universidade e detinham a noção do poder das leis nas mãos''.
Para Walkiria, em se tratando de ética, a educação de berço se faz necessária. ''Tudo teria de ser revisto individualmente, mas com uma responsabilidade coletiva. Acredito que a solução seja a educação, mas não a educação das universidades e sim a educação desde pequenininho, pautada na ética, em detrimento ao atual consumismo''.
Com isso, salienta, o mercado teria profissionais dignos, e, especialmente no Direito, advogados que saibam lidar com o poder das leis.(T.N.)

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