Londrina - Despedir-se de 2013 pode ter um significado muito relevante para quem está apostando todas as expectativas na chegada de 2014. O ritual, aquele de fazer pedidos e promessas, é ainda maior quando na retrospectiva do ano que se despede ficam momentos de muita luta, esforço e até tristeza.
Mesmo que pareça um clichê, a canção "Adeus, ano velho! Feliz ano novo! Que tudo se realize no ano que vai nascer!" resume fielmente o desejo daqueles que têm motivos de verdade para celebrar a vida.
Você vai conhecer três histórias que, apesar de serem pessoais, refletem muitas outras que se assemelham pela luta e perseverança. Hoje, nos últimos dias para a virada do ano, os resultados, felizmente, não poderiam ser melhores.
"Vai ser o ano da minha vida porque tem sido esperado com muita ansiedade, tanto por mim quanto por toda minha família. Terei muitos desafios e muito a aprender, mas com certeza será o melhor de todos". É com um sorriso sincero e os olhos carregados de emoção, que a vendedora Roberta Lima, de 31 anos, falou sobre as expectativas para 2014.
No dia da entrevista, prestes a ganhar Eduardo, ela passava a mão na barriga carinhosamente por diversas vezes enquanto contava sua história, revelando um grande amor materno. Há dois anos, Roberta decidiu que estava na hora de se tornar mãe. Ela, que está casada há seis anos, engravidou na primeira tentativa para a felicidade do casal. Porém, em três meses, sofreu um aborto espontâneo e decidiu dar um tempo para uma nova tentativa.
No ano passado, engravidou novamente durante uma viagem de férias, mas antes mesmo de completar um mês de gestação perdeu o bebê. "No início deste ano, eu que já vinha fazendo um bateria de exames, descobri que tinha um problema genético no sangue, chamado trombofilia e, por isso, toda gestação seria de alto risco", comentou.
Com várias tentativas, Roberta já não queria mais noticiar a família se o resultado de gravidez desse positivo. "Eu não queria mais passar por uma frustração", contou, revelando que quando menos esperava veio a grande notícia. "Eu já estava de um mês e comecei a ser acompanhada constantemente por minha médica."
Eduardo antecipou a chegada em mais de uma semana e pôs fim ao ano marcado de medos e inseguranças. "Fiquei o tempo todo apreensiva, mesmo sabendo que não podia ficar estressada. É algo inevitável porque eu tinha medo de perder o bebê. O amor existe desde quando me descobri grávida. Se fosse resumir o meu 2013, diria que foi de muita, mas muita expectativa, mas agora em 2014 eu só quero saúde e alegria. Vai ser realmente um novo ano para mim, com a realização de um sonho", revelou, emocionada.

Efetivado
O final deste ano também tem um gostinho especial para Nicolas Palmacene Fuzzo, de 21 anos. Assim como muitos outros jovens, ele não desistiu de conquistar o primeiro emprego. Passou por diversas entrevistas e fez da procura por um espaço no mercado de trabalho um luta incessante.
"Comecei 2013 procurando emprego. Fiz um curso profissionalizante de auxiliar administrativo e consegui algumas entrevistas, mas ninguém me deu retorno", disse. Além da concorrência das vagas, Nicolas precisava de uma empresa com as portas abertas para pessoas com deficiência.
Ivone, sua mãe, conta que Nicolas nasceu com falta de oxigenação devido a uma complicação na hora do parto. "A maior sequela foi na área visual, além dele não ter muita malícia", revelou. Diante disso, a conquista de um emprego se torna ainda mais especial.
Para Nicolas, trabalhar significa independência e uma porta para novos caminhos, como a própria faculdade e até a Disney, destino para o qual pretende viajar em 2014. "Acho que as empresas dão oportunidade, mas para as pessoas que têm um grau menor de deficiência, principalmente a intelectual", observou Ivone, que acompanhou a ansiedade do filho durante todo o ano.
A boa notícia veio agora, nos últimos meses. Nicolas encontrou a porta da oportunidade e não pensou duas vezes em bater nela. "Fiquei sabendo de uma vaga no hospital Santa Casa de Londrina e fui contratado para uma experiência no laboratório. Digito laudos de exames e levo para o setor de bioquímica", contou, entusiasmado, revelando que acabou de ser efetivado. "Estou gostando muito. Estou conhecendo novas pessoas, de vários setores. Eu gosto de fazer amizades", comenta.
O trabalho de Nicolas exige um alto grau de atenção. "É preciso conferir se não há nenhum erro. Levo muito a sério, fico concentrado e tento ser o mais pontual possível", completa o jovem, que espera de 2014 um ano ainda melhor. "É uma conquista que foi comemorada por todo mundo, meus amigos e minha família. Desejo que este ano novo seja bom para todos e que eu consiga realizar outros sonhos como viajar e voltar a estudar", disse ele, sendo interrompido pela mãe. "E de arrumar uma namorada", completa, em tom de brincadeira, enquanto Nicolas caía na gargalhada. "É verdade".

Leia também:

- ‘Viver e não ter a vergonha de ser feliz’

mockup