O preso Edson Antônio Dias, 32 anos, negou ontem que tenha sido ameaçado por conta da cobrança do ‘‘pedágio da morte’’, dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Ele disse que pediu dinheiro aos familiares por causa de uma dívida de drogas e do ‘‘jogo do bichinho’’ (tipo de jogo de azar) no presídio’’. Edson Dias disse que está na PCE há cerca de dois meses e nunca ouviu falar do ‘‘pedágio’’.
A denúncia de que presos estariam pagando valores mensais para não serem mortos dentro da PCE partiu da irmã de Edson Dias que, na semana passada, apresentou um recibo, no valor de R$ 100,00, depositado em nome de Emídio Soares. ‘‘Foi uma atitude precipitada da minha irmã e que acabou prejudicando outras pessoas. Se ela queria me ajudar, deveria ter tentado minha transferência’’, declarou. Desde a última quinta-feira, Edson Dias está no Centro de Observação Criminológica e Triagem (COT).
Ele afirmou que pediu para que o depósito fosse feito em nome do preso Emídio Soares, que, sendo mestre de um canteiro de obras na PCE, teria mais acesso à administração da penitenciária, enquanto que ele (Edson Dias) teria que esperar três dias para receber o dinheiro.
Edson Dias teria dito para a irmã que era dívida de drogas anterior à sua entrada na PCE e que poderia ser morto caso não pagasse. ‘‘Minha irmã me arrumou um problema porque a massa carcerária não permite que isso aconteça. É caguetagem.’’
Esta seria a segunda vez que Edson Dias pediu dinheiro à família. Segundo ele, é fácil conseguir drogas dentro do presídio. ‘‘É só procurar as pessoas certas’’. A droga – maconha e crack – era dividada com o companheiro de cela que o ‘‘apadrinhou nas drogas’’.
O preso disse estar com medo porque mesmo que não exista o pedágio da morte, ele se considera uma pessoa marcada. ‘‘Não vão permitir conviver lá dentro. Para eles, agora eu sou uma persona non grata.’’
As investigações por parte da Comissão Permanente de Sindicância da Secretaria de Estado da Segurança continuam. Ontem, o delegado Domingos Wesley Cury ouviu representantes de entidades que reúnem familiares e amigos de presidiários. A vinda de deputados da Comissão de Direitos Humanos, de Brasília ficou adiada para a semana que vem.

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