Com lanterna, PMs fazem parto no meio da noite
Com lanterna, PMs fazem
parto no meio da noite
Eliane Eme Sato
Mauro FrassonCardoso e Passos: responsabilidade maior do que prender bandidosA Polícia Militar fez ontem em Curitiba um atendimento inusitado durante a madrugada. A dona de casa Sandra Ribeiro, 23 anos, ao sentir as contrações do parto, por volta das 3 horas, pediu que a vizinha acionasse o 190, número de emergência da PM. A intenção era que uma viatura a levasse para um hospital.
O cabo Jean Rafael dos Passos, 25 anos, e o soldado Ivan Cardoso, 24 anos, acabaram, porém, tendo de fazer o parto na casa de Sandra. Não deu tempo de chegar ao hospital, o bebê já estava nascendo, conta o soldado Cardoso. Em 20 minutos, os policiais concluíram o parto e viram nascer a menina Isabela, pesando 2,950 quilos.
Foram momentos de tensão, mas depois que a criança chorou foi uma grande emoção, disse o cabo Passos, pai de dois filhos. Os policiais fizeram o trabalho de parto usando uma lanterna porque a casa, situada numa chácara na Vila Suíça, onde vivem seis pessoas, não tem energia elétrica. A equipe tinha luva cirúrgica na viatura, mas teve de improvisar, usando fio de linha e tesoura para dar os pontos no cordão umbilical da criança. Fazer um parto é uma responsabilidade até maior do que correr atrás de bandido, disse o cabo Passos.
Os policiais contam que usaram conhecimentos que receberam durante treinamento e simulação de parto na escola de formação de polícia. Mãe e bebê foram levados depois para a Maternidade Nossa Senhora do Rosário, no Centro de Curitiba, apenas para observação. A dona de casa deve receber alta ainda hoje.
Sandra conta que jamais imaginava que teria o filho com a ajuda dos policiais. Fiquei um pouco envergonhada, mas vale a pena passar por qualquer constrangimento para ter a minha filha, disse ela que tem ainda um menino de dois anos. Ela diz que sentiu contrações durante todo o dia, com mais intensidade durante a madrugada, e pensava que teria tempo de chegar até o hospital.





