Londrina - Há sete anos, o projeto Semana Solidária da Criança vem "alimentando" o desejo de estudantes da rede pública municipal, com passeios a restaurantes da cidade. A receita começou com uma ação individualizada da empresária Richi Amaral, na época, proprietária de uma pizzaria em Londrina.
Ela abriu as portas de seu estabelecimento e recebeu 300 crianças carentes para almoçar. A iniciativa deu tão certo que o projeto passou a ser desenvolvido pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Norte do Paraná, em parceria com a Prefeitura de Londrina e Secretaria Municipal de Educação.
Em pouco tempo, a Semana Solidária da Criança virou exemplo para outros 20 Estados (seccionais e regionais da Abrasel), que também aprovaram e dão continuidade ao projeto. "A ideia é que cada estabelecimento parceiro ofereça uma refeição ou lanche e atividades de lazer. A ação se destaca pela inclusão social, mas também tem sucesso pela liberdade ao empresariado. Cada parceiro escolhe de que forma vai promover o encontro com as crianças", afirmou Arnaldo Falanca, diretor executivo da Abrasel Norte do Paraná.
Aberta oficialmente ontem, na Chácara Graciosa (zona sul), a Semana Solidária deste ano atenderá 1.275 crianças da rede municipal de ensino, entre 6 e 10 anos, além de 140 crianças da creche Renascer. Ao todo são 14 restaurantes participantes. O deslocamento dos alunos fica a cargo da Secretaria de Educação. "O empresariado também tem uma parcela de responsabilidade na sociedade e esse projeto é uma forma deles se doarem", acrescentou.
Ontem de manhã, cerca de 200 crianças se divertiram com uma dupla de palhaços e lancharam hambúrguer, batata frita e refrigerante. "Hoje é um dia de passeio. É legal e emocionante porque a gente veio para um lugar bem bonito e longe. Depois disso, a gente vai comer algo bem gostoso", disse, entusiasmado, Marcos Alves Firmino, de 8 anos, na companhia do amigo Eric Eduardo M. Teixeira, de 7. Ambos estudam na Escola Municipal Salim Aboriham, no Conjunto Luiz de Sá (zona norte).
"É uma inciativa maravilhosa. Dentro do ônibus eles ficaram deslumbrados com a paisagem, pois muitos conhecem apenas a região em que mora. Então, além de ser um programa diferente, é uma forma deles se sentirem importantes. Faz bem para a autoestima de cada um", destacou Mônica Burigo, coordenadora pedagógica.
A pequena Isabelly Trevisan dos Santos quis sentar bem pertinho dos palhaços e estava adorando o programa. "É tudo gostoso, desde os palhaços até o lanche", comentou ela, que é aluna da Escola Municipal Nair Auzi Cordeiro, no Conjunto Milton Gavetti (zona norte). Também participaram desse encontro 37 alunos da educação infantil da Escola Municipal da Vila Fraternidade, na zona leste.
Para a diretora pedagógica da Secretaria de Educação, Mariângela Prata Bianchini, o projeto é uma oportunidade para as crianças conhecerem um novo local e uma nova comida. "É um diferencial porque muitas delas não têm como ir a esses lugares. Além disso, as professoras aproveitam para trabalhar nessa situação, a questão da educação e respeito", disse.
Até o dia 12 de outubro, cada escola visitará um estabelecimento. Para Falanca, o sonho de fundar e disseminar o projeto já vem sendo realizado, mas na tentativa de enxergar um futuro próximo, ele arrisca sonhar mais alto. "Gostaria de profissionalizar o programa para atender não só os alunos da rede municipal de ensino, mas todas as crianças carentes do município", concluiu.

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