Com funcionamento facultativo, comércio teve pouco público pela manhã
Quem trabalhou no comércio ganhou extra de R$ 150, R$ 25 para refeição e uma folga
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de novembro de 2024
Quem trabalhou no comércio ganhou extra de R$ 150, R$ 25 para refeição e uma folga
Walkiria Vieira 

O comércio de rua funcionou de modo facultativo nesta sexta-feira (15) em Londrina, feriado nacional, data em que é celebrada a Proclamação da República. Assim, pelo acordo firmado, as lojas que optaram por realizar o atendimento ao público e contar com seus trabalhadores, assumiram um compromisso: o empregado do comércio de rua receberá remuneração de R$ 150 no final do expediente, R$ 25 para refeição e uma folga compensatória até 31 de março de 2025.
Firmado na última quarta-feira (13) entre o Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina) e o Sindecolon (Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina), o acordo determinou a liberdade do empresário assinar o termo de adesão para a abertura no feriado - comércio de rua funcionou das 9h às 18h, os shoppings seguiram o horário de domingo, das 14h às 20h, e os supermercados abriram normalmente. Já para o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, as lojas do comércio de não irão abrir.

METADE ABERTO, METADE FECHADO?
Na primeira hora de funcionamento, a subgerente de uma loja de artigos de beleza, higiene e saúde, Kananhda Lavine Oliveira, 23 anos, admite que a circulação de clientes é mais baixa do que o esperado. "A expectativa é grande e torcemos para que o fluxo seja bom", disse.
Para a subgerente, a demora na decisão pelo anúncio da abertura é um fator negativo. "Tivemos apenas dois dias para divulgar que o comércio iria funcionar. Essa falta de comunicação e publicidade é algo ruim e para as próximas datas, o ideal é que com uma semana antes todos saibam para que o cliente se sinta seguro de vir e encontrar as portas abertas", sugere. Oliveira destaca ainda que a empresa fez publicações nas redes sociais e reforçou para sua freguesia aproveitasse o dia para fazer compras. "Mas ficaremos até as 15 horas", alerta.

A decisão de antecipar o encerramento da jornada, segundo a subgerente, se deve em razão de muitos comerciários não terem aderido à abertura. "Nessa quadra, só nossa loja e mais uma e todo o outro lado está com as portas abaixadas e isso se reflete em nosso movimento", comenta. Na quadra seguinte ao comércio em que está fixada, dos 15 estabelecimentos, cinco optaram pelo funcionamento

A cena não passa despercebida para aposentados e moradores da região central de Londrina. Paulo Martins, 90 anos, José Angelo Luzo, 90 e Mario da Silva, 76, são categóricos: "Metade aberto, metade fechado". Os três consideram que o feriado nacional deveria respeitar as tradições. "É prejuízo na certa. Eu já andei tudo hoje, desci as quadras, voltei e olha só: nem as farmácias, cartórios, lotéricas e lojas de todos as áreas estão fechadas", diz Paulo Martins, representante comercial aposentado.
PERMISSÃO PARA TRABALHAR
Para Alessandra Ozório, 60 anos, e Érica Pereira Maruamy, 42, moradoras do centro de Londrina, a abertura é desnecessária. "Isso prejudica muito as famílias dos que trabalham no comércio porque é um dia em que as escolas, por exemplo, estão fechadas e para os que entram na escala de trabalho é um grande transtorno que não traz compensações", justificam.
Em busca de um item de uso pessoal, afirmam que nos dias atuais trabalham apenas em casa e apoiando nos cuidados a familiares como na atenção aos netos. "Ontem eu estava cuidando da minha neta e não pude vir, amanhã não terá como, então vim hoje, mas sou contra a abertura", ratifica Ozório. "Eu até assinei a PEC pela redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas porque já trabalhei muito em supermercado e sei o que é não ter vida", complementa Maruamy,

Para a moradora do Jardim Bandeirantes, região oeste de Londrina, Denise Paes, 48 anos, a abertura foi oportunidade de ela e a filha Emilly, de 10 anos, passearem no centro e fazerem compras. "Eu trabalho na Secretaria Municipal de Educação e viemos aproveitar com mais tranquilidade o comércio de rua, pois merece ser prestigiado porque para nós, no sábado, já são muitas tarefas e fica inviável". Mãe e filha se deslocaram de carro. "Bem tranquilo para encontrar uma vaga e sem ter que pagar para estacionar na rua é um incentivo", alegra-se.
A oferta de vagas para estacionar no centro também chamou a atenção de José Alves, 75 anos, na avenida Rio de Janeiro, quadra de frente à Praça da Bandeira. Diante de três motos estacionadas e das dezenas de opções disponíveis, dispara: "Nesse horário não teria mais nada porque a maioria chega bem antes das 8 horas da manhã. São pessoas que trabalham no comércio e em escritórios e só tiram mesmo a moto depois do expediente. Fora isso, tem que chega para fazer algo rápido no centro e sai logo. Mas 90% passa o dia todo e chega a ter nessa quadra mais de 70 motos estacionadas nos dias de comércio normal".

Com um fluxo considerado bom na loja e também na fila do caixa, a gerente Isabella Ferreira, 26 anos, atribui ao o mix de produtos que a unidade comercializa a presença do consumidor. "Presentes, acessórios, itens de higiene, beleza e artigos natalinos são os principais artigos". Segundo Ferreira, as duas primeiras horas da manhã não são tão representativas para saber o resultado da abertura, mas é satisfatório receber os clientes", alegra-se. A gerente acrescenta que dos 16 trabalhadores habituais, 10 entraram na escala do feriado. "Cumprimos todo o acordo firmado oferecendo o pagamento de 100% sobre o feriado, o vale-refeição e uma folga de compensação".


