O comércio de rua funcionou de modo facultativo nesta sexta-feira (15) em Londrina, feriado nacional, data em que é celebrada a Proclamação da República. Assim, pelo acordo firmado, as lojas que optaram por realizar o atendimento ao público e contar com seus trabalhadores, assumiram um compromisso: o empregado do comércio de rua receberá remuneração de R$ 150 no final do expediente, R$ 25 para refeição e uma folga compensatória até 31 de março de 2025.

Firmado na última quarta-feira (13) entre o Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina) e o Sindecolon (Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina), o acordo determinou a liberdade do empresário assinar o termo de adesão para a abertura no feriado - comércio de rua funcionou das 9h às 18h, os shoppings seguiram o horário de domingo, das 14h às 20h, e os supermercados abriram normalmente. Já para o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, as lojas do comércio de não irão abrir.

Durante o período da manhã, o Calçadão ficou vazio
Durante o período da manhã, o Calçadão ficou vazio | Foto: Walkiria Vieira

METADE ABERTO, METADE FECHADO?

Na primeira hora de funcionamento, a subgerente de uma loja de artigos de beleza, higiene e saúde, Kananhda Lavine Oliveira, 23 anos, admite que a circulação de clientes é mais baixa do que o esperado. "A expectativa é grande e torcemos para que o fluxo seja bom", disse.

Para a subgerente, a demora na decisão pelo anúncio da abertura é um fator negativo. "Tivemos apenas dois dias para divulgar que o comércio iria funcionar. Essa falta de comunicação e publicidade é algo ruim e para as próximas datas, o ideal é que com uma semana antes todos saibam para que o cliente se sinta seguro de vir e encontrar as portas abertas", sugere. Oliveira destaca ainda que a empresa fez publicações nas redes sociais e reforçou para sua freguesia aproveitasse o dia para fazer compras. "Mas ficaremos até as 15 horas", alerta.

Centro de Londrina no dia 15 de novembro
Centro de Londrina no dia 15 de novembro | Foto: Walkiria Vieira

A decisão de antecipar o encerramento da jornada, segundo a subgerente, se deve em razão de muitos comerciários não terem aderido à abertura. "Nessa quadra, só nossa loja e mais uma e todo o outro lado está com as portas abaixadas e isso se reflete em nosso movimento", comenta. Na quadra seguinte ao comércio em que está fixada, dos 15 estabelecimentos, cinco optaram pelo funcionamento

Paulo Martins, 90 anos, José Angelo Luzo, 90,  Mario da Silva, 76: "Prejuízo na certa"
Paulo Martins, 90 anos, José Angelo Luzo, 90, Mario da Silva, 76: "Prejuízo na certa" | Foto: Walkiria Vieira

A cena não passa despercebida para aposentados e moradores da região central de Londrina. Paulo Martins, 90 anos, José Angelo Luzo, 90 e Mario da Silva, 76, são categóricos: "Metade aberto, metade fechado". Os três consideram que o feriado nacional deveria respeitar as tradições. "É prejuízo na certa. Eu já andei tudo hoje, desci as quadras, voltei e olha só: nem as farmácias, cartórios, lotéricas e lojas de todos as áreas estão fechadas", diz Paulo Martins, representante comercial aposentado.

PERMISSÃO PARA TRABALHAR


Para Alessandra Ozório, 60 anos, e Érica Pereira Maruamy, 42, moradoras do centro de Londrina, a abertura é desnecessária. "Isso prejudica muito as famílias dos que trabalham no comércio porque é um dia em que as escolas, por exemplo, estão fechadas e para os que entram na escala de trabalho é um grande transtorno que não traz compensações", justificam.

Em busca de um item de uso pessoal, afirmam que nos dias atuais trabalham apenas em casa e apoiando nos cuidados a familiares como na atenção aos netos. "Ontem eu estava cuidando da minha neta e não pude vir, amanhã não terá como, então vim hoje, mas sou contra a abertura", ratifica Ozório. "Eu até assinei a PEC pela redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas porque já trabalhei muito em supermercado e sei o que é não ter vida", complementa Maruamy,

Denise Paes e Emilly: dia proveitoso e tranquilo para mãe e filha prestigiar comércio de rua
Denise Paes e Emilly: dia proveitoso e tranquilo para mãe e filha prestigiar comércio de rua | Foto: Walkiria Vieira

Para a moradora do Jardim Bandeirantes, região oeste de Londrina, Denise Paes, 48 anos, a abertura foi oportunidade de ela e a filha Emilly, de 10 anos, passearem no centro e fazerem compras. "Eu trabalho na Secretaria Municipal de Educação e viemos aproveitar com mais tranquilidade o comércio de rua, pois merece ser prestigiado porque para nós, no sábado, já são muitas tarefas e fica inviável". Mãe e filha se deslocaram de carro. "Bem tranquilo para encontrar uma vaga e sem ter que pagar para estacionar na rua é um incentivo", alegra-se.

A oferta de vagas para estacionar no centro também chamou a atenção de José Alves, 75 anos, na avenida Rio de Janeiro, quadra de frente à Praça da Bandeira. Diante de três motos estacionadas e das dezenas de opções disponíveis, dispara: "Nesse horário não teria mais nada porque a maioria chega bem antes das 8 horas da manhã. São pessoas que trabalham no comércio e em escritórios e só tiram mesmo a moto depois do expediente. Fora isso, tem que chega para fazer algo rápido no centro e sai logo. Mas 90% passa o dia todo e chega a ter nessa quadra mais de 70 motos estacionadas nos dias de comércio normal".

Oferta de vagas para motos estava bem diferente dos dias comuns
Oferta de vagas para motos estava bem diferente dos dias comuns | Foto: Walkiria Vieira

Com um fluxo considerado bom na loja e também na fila do caixa, a gerente Isabella Ferreira, 26 anos, atribui ao o mix de produtos que a unidade comercializa a presença do consumidor. "Presentes, acessórios, itens de higiene, beleza e artigos natalinos são os principais artigos". Segundo Ferreira, as duas primeiras horas da manhã não são tão representativas para saber o resultado da abertura, mas é satisfatório receber os clientes", alegra-se. A gerente acrescenta que dos 16 trabalhadores habituais, 10 entraram na escala do feriado. "Cumprimos todo o acordo firmado oferecendo o pagamento de 100% sobre o feriado, o vale-refeição e uma folga de compensação".

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