Kraw PenasFranciane prefere não expor a filha para a imprensaDepois de ficar longe da filha Paula por mais de dois anos, a artista plástica curitibana Franciane Heinisch, de 26 anos, vai passar o primeiro dia das mães novamente em companhia. O caso foi manchete nos jornais do Estado durante vários meses. Depois de ter morado junto com um descendente de portugueses e de ter ficado grávida, Franciane teve a filha sequestrada pelo próprio pai, que a levou para Portugal. Sequestro que só teve fim em dezembro do ano passado.
‘‘Tínhamos um relacionamento muito difícil quando decidi me separar’’, conta Franciane. ‘‘E acredito que o sequestro só pode ter sido uma vingança. Eu estava meio desconfiada dele porque numa vez que ele pegou a Paula para passar o fim-de-semana, acabou ficando quase um mês com ela, impedindo que eu a visse. Eu tinha prometido a mim mesma que jamais deixaria que ele a levasse novamente. Só concordei porque foi o próprio avô dela quem pediu mais uma chance para o filho.’’
Cedendo ao pedido, Franciane deixou que o ex-marido levasse a criança novamente para um passeio. Mas para reavê-la teve que viajar para Portugal. Foram várias viagens e tentativas de acordo. Mas só em dezembro do ano passado, e com a prisão do ex-marido, do pai e do irmão dele, é que Franciane conseguiu voltar para o Brasil, e com a menina.
‘‘Os primeiros dias foram super difíceis’’, desabafa a mãe. ‘‘Ela não queria ficar comigo. Não estava entendendo direito o que tinha acontecido. Mas me emocionei quando pisamos no aeroporto e ela me fez uma pergunta. Ela queria saber onde tinha ficado a mochila verde de brinquedos que estava com ela quando ela foi roubada pelo pai.’’
Hoje, Paula tem 5 anos, vai à escola e leva uma vida normal ao lado da mãe, que conta só ter superado as dificuldades por causa do apoio da família e dos amigos. ‘‘Foram dois anos e meio de agonia, de sofrimento mesmo’’, conta Franciane. ‘‘Se eu não tivesse o meu trabalho e os meus amigos, acho que não teria resistido. A volta da Paula foi um presentão. Com ela, comecei a viver novamente.’’
É sem entender a atitude de algumas mães, que conseguem abandonar seus filhos, que Franciane se refere ao seu próprio caso. ‘‘Existem aquelas que fazem de tudo para ficar com os filhos, e aquelas relapsas que nem cuidam deles direito. Daí, até posso concordar com que elas fiquem com os pais e não com as mães. Com certeza não foi o meu caso.’’
No primeiro dia das mães em que passarão juntas novamente, Franciane e Paula deverão viajar para o interior.‘‘Minha família sempre foi muito unida’’, explica Franciane. ‘‘Vou passar o domingo com a minha mãe, minha avó e a minha filha’’.(V.A.)

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