Com fechamento de centro cultural, índios improvisam acampamento
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segunda-feira, 28 de julho de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Uma reserva de mata nativa no Jardim Acapulco (Zona Sul de Londrina) foi ocupada por cerca de 40 índios kaingangue da Reserva Apucaraninha, entre eles dez crianças, há cerca de um mês. Algumas árvores foram derrubadas para abrigar barracas de lona na mata, que fica no meio do conjunto e é cercada por casas de moradores. Além das barracas, os índios improvisaram fogões de lenha e varais de roupa. Outros 30 índios também ocuparam uma área próxima à Rodoviária de Londrina, onde estão em condições precárias.
Segundo o índio Adilson Luís, que acompanha o grupo no Jardim Acapulco, as famílias não têm mais condições de ficar na Reserva Apucaraninha. São cerca de três mil índios que hoje vivem na reserva. ''Lá não tem trabalho. Precisamos vir para a cidade vender os cestos e ganhar dinheiro.'' Ele afirmou que os índios decidiram fazer um revezamento e a cada mês um grupo ocupará o espaço com o acampamento.
''Na reserva é difícil, não tem serviço. É horrível lá'', desabafou uma índia que preferiu não se identificar. Com outra mulher, ela confeccionava pequenos cestos feitos com fibra de bambu, vendidos a R$ 6 no Centro da cidade. ''É difícil vender. Tem muita gente que acha que é caro e não compra. Tem dia que vendemos dois ou três. Tem dia que não vendemos nenhum.''
Ivanilda Artur, mãe de três filhos, de nove, cinco e um ano, afirmou que as condições na Reserva Apucaraninha são precárias. ''Ficar aqui (na cidade) é bem melhor.'' Os índios alegam que as crianças estão em férias e não terão as aulas prejudicadas.
Eles reclamam da falta de lugar para ficar na cidade. O Centro Cultural Kaigáng (Vãre), localizado na avenida Dez de Dezembro, foi fechado para reforma em abril. O local servia para abrigar as famílias que vinham das reservas da região. Ontem pela manhã, apenas dois funcionários da prefeitura estavam no local. Uma faxineira e um segurança. As casas que abrigavam as famílias de índios foram derrubadas e o terreno está vazio.
Pela manhã, a reportagem da FOLHA entrou em contato com a coordenadora do Centro Cultural Kaigáng, Marlene de Oliveira. Ela pediu para ligar mais tarde, mas o celular estava desligado.
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que ainda não está definido o novo modelo de atendimento dos índios da região. A explicação é de que o modelo utilizado pelo Centro Cultural Kaigáng não deu certo e por isso um novo projeto está sendo estudado. Uma reunião está sendo agendada com o Ministério das Cidades para definir qual a melhor forma de atender os índios.


