Com esse valor não tem jeito
O preço da cesta básica hoje gira em torno de R$ 190,00. Com a renda diária de R$ 4,00 - ou R$ 120,00 mensais - é possível comprar apenas 60% da quantidade total de alimentos necessária para alimentação de uma pessoa. ''Com esse valor não tem jeito. É passar fome mesmo'', avalia o economista Flávio Oliveira Santos.
A cesta inclui os seguintes alimentos: arroz, feijão, açúcar, leite, óleo de soja, pão, margarina, café, batata, farinha de trigo, banana, tomate e carne (coxão mole). Outros itens de primeira necessidade, como vestuário, higiene e limpeza, ficam de fora.
Um dos problemas, segundo o economista, é o baixo poder de compra dos brasileiros. ''Aqui a mão-de-obra é barata e os bens e serviços são caros. O ideal seria que o governo reduzisse os impostos e os empresários baixassem a margem de lucro deles'', sugere.
Santos, no entanto, é contra o auxílio de programas de transferência de renda por tempo indeterminado. Ele acredita que o auxílio financeiro só é benéfico se vier acompanhado de cursos de qualificação profissional e com prazo para terminar. E para que os beneficiados possam frequentar as aulas também é necessário investimento na construção de centros de educação em período integral para as crianças.
Dessa forma, acrescenta, seria possível combater o comodismo. ''Tanto que em regiões de bóias-frias existe a dificuldade de contratar mão-de-obra na semana do pagamento da Bolsa Família'', exemplifica Santos. Por isso, a solução apontada pelo economista é o investimento pesado em educação e qualificação.
De acordo com o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Luiz Antonio Norder, o percentual de pobres que não recebem nenhum tipo de bolsa dos governos ''é bastante elevado em todo o País.'' Mesmo assim, houve bastante avanço nos diversos programas governamentais de transferência de renda.
Segundo Norder, isto é resultado da descentralização dos programas e do apoio da sociedade civil organizada, através dos conselhos de segurança alimentar, a essas políticas.
Outros pontos positivos são o crescimento da emissão de documentos para esta população e o crescimento do processo de circulação econômica. ''É preciso fazer a transferência de renda para garantir a condição mínima de alimentação para essa população. A situação atual mostra que é uma ação necessária, que não acaba com a pobreza mas é parte da solução'', decreta. (F.R.F.)





