Rio Bom – Preocupada com o avanço da dengue, a administração municipal de Rio Bom (Vale do Ivaí) proibiu a realização de eventos com aglomeração de pessoas na cidade. A medida atingiu até as festas de Carnaval.
A medida foi tomada com o intuito de evitar a proliferação da doença, já que o município, com 3.385 habitantes, já registrou 98 notificações e 32 casos confirmados da doença, todos autóctones (contraídos no próprio município). O último índice de infestação predial registrado no município foi de 5,5%, quando o tolerável pela Organização Mundial de Saúde é de 1%.
A medida recebeu apoio de moradores como João Castorino e a esposa Maria Zilda, que tiveram dengue no fim do ano passado. "Eu fiquei sete dias muito ruim, sem apetite e com o corpo todo dolorido. Coloca aí na reportagem que o povo precisa colaborar. O pessoal fica jogando o lixo na rua e não cuida de seus quintais", reclamou Castorino. Como aqueles que já contraíram a doença têm mais risco de contrair a dengue hemorrágica, ele se mostrou bastante preocupado com o desleixo da população em relação ao lixo nas ruas e terrenos baldios. "O povo daqui está muito relaxado. Precisa se conscientizar", cobrou.
O comerciante Júlio Sene também apoiou a medida. "Para evitar a dengue tem que cancelar o Carnaval mesmo. O povo daqui não gostou muito, mas é importante prevenir, pois a saúde deve ser colocada em primeiro lugar. Para festejar haverá outras oportunidades", argumentou.
O secretário municipal de Saúde, José Benedito de Andrade, explicou que a medida foi tomada em função dos riscos de que a transmissão da doença fosse facilitada com a aglomeração de pessoas. "Talvez para uma cidade como Londrina, esses números sejam pequenos, mas para uma cidade pequena como a nossa os dados foram preocupantes", avaliou.
O secretário afirmou que o fato do município não ter um hospital foi um fator a mais para decretar a suspensão de eventos. "Nós temos as nossas unidades básicas de saúde, que têm dado todo o suporte para os pacientes."
Uma funcionária de uma unidade básica de saúde ouvida pela reportagem, que pediu para não ser identificada, avaliou que o cancelamento de eventos, combinada com outras medidas, tem surtido efeito. "Antes a recepção ficava lotada de pessoas. Atualmente temos registrados três ou quatro casos suspeitos por semana.", observou.
Andrade ressaltou que o município tem realizado o bloqueio a cada caso de dengue confirmado. "O problema é que há uma demora grande entre o envio de amostras para se fazer a análise e a chegada dos resultados. Mas temos realizado o bloqueio com o veneno em um raio de 300 metros, conforme o Ministério da Saúde orienta", apontou. Ele explica que o município está realizando o quarto ciclo de aplicação de veneno e acredita que no próximo Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) o índice de infestação predial ficará próximo de zero. "Se não chegar a zero, será bem próximo disso. Acredito que agora o município retomou o controle da doença."
Para a médica clínica e chefe da 17ª Regional de Saúde, Teresinha Sanchez, o cancelamento de eventos não é uma medida eficaz. "O que a gente precisa eliminar são os criadouros de mosquitos. Essa medida de evitar aglomerações é eficaz em casos de doenças como a Gripe A. Para acabar com a dengue e com a Chikungunya, tem que acabar com o vetor."
Além de Rio Bom, as cidades de Itaúna do Sul, Jataizinho, Paranapoema, Rancho Alegre do Oeste, São João do Caiuá e São Pedro do Paraná estão com uma média acima de 300 casos da doença por 100 mil habitantes, o que caracteriza a situação de epidemia. Seis outras cidades possuem risco médio de infestação: Uraí, Tamboara, Diamante do Norte, Amaporã, Loanda e Iporã. Os dados foram coletados no levantamento realizado entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015.

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