No Conjunto José Belinati (zona norte), há cerca de quatro anos os moradores da invasão no fundo de vale da região elevaram a maioria dos barracos para mais perto do asfalto, para se afastar do Ribeirão Lindóia. Eles lembram que, toda vez que chovia, a água transbordava e invadia as casas. Os moradores dos barracos que ainda ficam próximos ao ribeirão sofrem nos dias de tempestade.
A diarista Doralice Gonçalves da Silva mora a cerca de 15 metros do Lindóia e já teve que trocar cinco vezes o assoalho de sua residência, desgastado pelas chuvas. ''Bastam dois dias seguidos de chuva pra água entrar na casa'', afirma a moradora. Cada troca de assoalho custou R$ 150 Doralice ganha cerca de R$ 200 mensais em seu trabalho. Ela também diz que os transbordamentos fazem com que cobras e outros animais peçonhentos invadam os barracos. ''Uma vez, um dos meus filhos foi picado por uma caranguejeira'', conta a diarista.
Os moradores que elevaram a posição dos barracos têm apenas um pouco a mais de sorte. Destelhamentos e goteiras são comuns nas residências precárias. No Parque Bom Retiro (centro), o córrego que leva o nome do bairro transborda com frequência e traz perigo para crianças e adolescentes. Na semana passada, uma jovem de 17 anos morreu afogada no local. ''Já morreram outras pessoas aí. O córrego transborda fácil porque, quando chove, vem toda a água do centro'', comenta Addaldo Freire, desempregado que mora na região.

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