O Dia Mundial do Hospital, comemorado ontem, passou despercebido em Londrina. Alguns diretores de hospitais acreditam que, com a situação de caos no setor da saúde, não há motivo para comemorações. ‘‘Festejar atualmente é difícil. Os hospitais merecem mais atenção dos setores públicos responsáveis, para evitar o caos em que agora se encontram’’, comenta o diretor-superintendente do Hospital Universitário, Cláudio Camacho.
O final de semana passado foi marcado pela superlotação na maioria das entidades. Cláudio Camacho diz que o domingo foi bastante tumultuado no pronto-socorro do HU, com filas imensas e pacientes esperando muito por atendimento. Ontem, nos corredores do Hospital Universitário, 16 pacientes estavam internados. A procura foi tanta no final de semana que os PSs do HU tiveram que interromper o atendimento e receberam apenas os casos mais urgentes. O pronto-socorro médico ficou fechado por 10 horas; o pediátrico, por três; o obstétrico, por 17 horas.
Enquanto as reformas do HU não forem autorizadas pelo Governo Estadual, o quadro tende a piorar a cada dia, prevê Cláudio Camacho. Ele lembra que está aumentando cada vez mais o número de pessoas que ficam sem atendimento ou que permanecem mal acomodadas em macas nos corredores. Na última visita a Londrina, semana passada, Lerner conheceu o projeto de ampliação do HU, mas avisou que o Estado não tem condição de bancar sozinho com o custo da obra - R$ 32 milhões. A idéia do Governo é buscar recursos com órgãos nacionais ou internacionais. ‘‘Vamos batalhar em cima desta idéia’’, avisa Camacho.
A diretora do Hospital da Zona Norte, Vera Marvulle, não sabia da data e também não vê motivos para comemorar. Ela lembra que do dia 5 de julho até anteontem foram feitos no pronto-socorro 2.416 atendimentos. ‘‘É muita coisa!’’ O plantão do último final de semana foi bastante movimentado, principalmente pelo fato de a escala estar com defasagem de um médico pediatra. ‘‘Ficamos seis horas sem pediatra no sábado e mais seis horas no domingo’’, reclama.
A falta de pediatra deve ser resolvida em breve, acredita Vera Marvulle, depois que a Cismepar contratar um pediatra para Londrina. Mesmo assim, ela informa que, das 7 horas de sábado até às 7 horas de domingo, haviam sido atendidas 94 crianças no HZN. Das 7 horas de domingo até às 7 horas de ontem, o número subiu para 124 crianças.
Na Santa Casa, o final de semana teve o movimento habitual e não houve registro de aumento significativo da demanda, informa o diretor-superintendente, Fahd Haddad. O pronto-socorro realizou 406 atendimentos. Na opinião de Haddad, a situação se complica muito quando os PSs de outros hospitais interrompem o atendimento, como foi o caso do HU. ‘‘Nestes casos, os outros hospitais são sobrecarregados’’, ele critica.
Para Haddad, quando se leva em conta a qualidade dos serviços que oferecem, os hospitais de Londrina têm muito a comemorar. Mas a situação muda quando se leva em conta a falta de financiamento por parte do SUS. ‘‘A tabela do SUS não é reajustada há dois anos.’’
Há controvérsia quanto a data exata do Dia Mundial do Hospital. Alguns médicos apontam o dia 1º de julho, outros o dia 4 ou, ainda, o dia 14, ontem.

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