Depois de um ano de 2002 trágico, quando 63 pessoas morreram em decorrência da dengue, este ano a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (RJ) conseguiu evitar uma nova epidemia da doença. De acordo com o sub-secretário de Saúde, Mauro Marzochi, a receita utilizada foi bastante simples. ''Modificamos a forma de combater a dengue, através da conscientização da população'', explica.
Marzochi afirma que desde 1986, quando surgiram os primeiros casos da doença, a saúde pública vinha combatendo a dengue conforme as determinações da Organização Mundial de Saúde (OMS), ou seja, através da utilização em massa de inseticidas e da presença de agentes de saúde nos imóveis. Ele acrescenta que para este ano decidiram mudar, dando mais importância à participação da população. ''As pessoas ignoravam que 90% dos criadouros estão dentro de suas casas'', frisa.
Segundo o sub-secretário, as pessoas entenderam que o poder público não consegue combater sozinho o mosquito transmissor e decidiram ''colocar a mão na massa''. Na opinião dele, em grandes cidades, principalmente, as prefeituras devem se preocupar mais em vistoriar locais poucos habitados, como depósitos de ferro velho, e deixar os imóveis sob responsabilidade de seus proprietários.
Um exemplo de que o Rio de Janeiro conseguiu diminuir a dengue é que de janeiro a março de 2002 foram registrados 124.462 casos. Já no mesmo período deste ano, a Vigilância Epidemiológica confirmou 559 casos da doença, sem nenhum óbito. Sobre os investimentos feitos para conscientizar a população, Marzochi afirma que foram realizados cerca de 800 Fóruns de Mobilização Social. ''Utilizamos esses fóruns para multiplicar as informações através de líderes comunitários e da própria imprensa'', conclui. (Gilmar Agassi)

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